Por Edelvânio Pinheiro*
Lançado pelo projeto Estante Mágica em parceria com o Colégio Genoma, de Teixeira de Freitas, "Otsune e o Reino de Brook Vile" é uma obra fascinante que transporta o leitor para um universo de fantasia medieval rico em imaginação, coragem e, acima de tudo, importantes lições de empatia.
Escrito e ilustrado com muita criatividade pelo meu neto, Bento, de 10 anos, sob a orientação da professora Miriani Gonçalves, o livro se destaca tanto pela criatividade de seu enredo quanto pela profundidade da mensagem que transmite.
A história se desenrola no pacífico reino de Brook Vile, governado pelo rei Jorge. A tranquilidade do lugar é ameaçada quando Otsune, um feiticeiro solitário que carrega as marcas da incompreensão e da exclusão, decide usar suas poderosas "magias das trevas" para tentar tomar o trono e o tesouro do castelo.
Vale destacar que a obra atribui a Otsune a alcunha de "um lobo diferente dos outros", utilizando esse arquétipo não apenas como uma característica literal, mas como uma metáfora literária profunda. Na narrativa, ele atua como o lobo solitário, uma figura marcada pela amargura e pelo isolamento forçado, transformando-se no grande antagonista que personifica a dor daqueles que foram marginalizados pela sociedade.
Para defender seu povo, o rei convoca bravos defensores, incluindo os lendários guerreiros de Nárnia. O clímax da narrativa traz uma grande batalha repleta de ação quando Otsune tenta colocar em prática seu plano de controle, mas encontra um reino unido e preparado para resistir.
O ponto alto da obra ocorre no desfecho, quando o rei Jorge, em vez de guardar rancor ou apenas comemorar a vitória, pondera sobre a trajetória de Otsune. O monarca compreende que o feiticeiro agiu motivado pela dor da solidão e da rejeição por ser diferente. É nesse momento que o livro eleva seu nível literário e humano, trazendo a mensagem tocante de que “ninguém deve ser excluído apenas por ser diferente”.
O rei, então, passa a incentivar em seu reinado uma cultura de respeito, amizade e escuta, mostrando aos leitores que muitas vezes alguém isolado precisa apenas ser acolhido.
As ilustrações, também criadas pelo meu neto, dão vida visual ao reino, desde a imponência do castelo e das pontes de Brook Vile até os laboratórios de poções e os guerreiros de prontidão. O traço infantil e expressivo confere autenticidade e charme únicos à obra, aproximando o leitor do olhar criativo do autor.
*Edelvânio Pinheiro é bacharel em Jornalismo, tem licenciatura em Letras Vernáculas e é autor de oito livros, inclusive uma obra infantojuvenil, "O cachorro caramelo que vivia nas ruas de Jaguaré", da editora Flamingo.