“O homem amarelou, o homem azulou”. Foi assim que o radialista Silas Gama resumiu, na manhã desta terça-feira (5), o sentimento da população de Itanhém e região após a entrevista de André Correia na Rádio Master FM. O comentário do radialista foi ao ar em seu programa matinal na Rádio Nova Cidade FM, que havia, juntamente com a Rádio Web Regional de Teixeira de Freitas, retransmitido, no dia anterior, a tão aguardada entrevista do agora ex-diretor do Hospital Municipal de Itanhém.
Durante o fim de semana, André Correia, que já foi vereador por dois mandatos, havia incendiado os bastidores da cidade ao publicar uma série de frases enigmáticas e contundentes em seu status no WhatsApp. Às 21h55 do sábado (2), escreveu: “Os cachorros são os mesmos.” Minutos depois, às 22h03, completou: “Idiota é quem confia em mudança.” E, subindo o tom, afirmou às 22h21: “Mudança é apenas a deles, de carro novo, de vida boa e regalias.”
Mas a publicação mais impactante veio às 22h29: “Dia 04 de agosto estarei na Câmara de Vereadores de Itanhém. Se o povo quer saber a verdade eu falarei.” E, reforçando, às 22h31: “Quem não estiver preparado para escutar a verdade que desligue o rádio. Não devo nada a ninguém, nem ao prefeito. Quem me deve é ele.”
Essas mensagens acenderam o alerta em toda a cidade. Políticos, opositores, aliados e a população em geral passaram a aguardar com ansiedade a entrevista ao vivo no programa especial Tribuna do Povo, apresentado por Edelvânio Pinheiro, marcada para as 19h da segunda-feira (4). O próprio radialista Silas Gama, em seu comentário, deixou claro: “O que foi aí divulgado pelas mídias sociais... todos aguardavam um momento de uma fala grandiosa, importante.” Mas o que se viu foi bem diferente.
Mesmo com todos os sinais de rompimento com o prefeito Bentivi, mesmo com a promessa de “dizer a verdade” e mesmo diante da insistência do âncora do programa em buscar respostas diretas, André Correia decepcionou. Evitou nomes, contornou perguntas, trouxe mágoas do passado e se limitou a dizer que estava sendo vítima de um complô dentro da atual gestão. Chegou a falar de uma “pessoa da sala ao lado” do gabinete do prefeito, supostamente alguém com poder paralelo, mas preferiu não revelar quem seria.
A entrevista, ao contrário do que se esperava, não entregou nenhuma denúncia concreta, nenhuma revelação relevante sobre os bastidores da saúde municipal ou sobre sua saída do cargo de diretor da unidade de saúde. O povo esperava dinamite e recebeu um traque.
As redes sociais reagiram com dureza. Memes surgiram quase que imediatamente, alguns com a imagem de André Correia de boca tapada, outros ironizando sua falta de coragem. A sensação geral foi de frustração e revolta, como pontuou Silas Gama.
“O povo aguardava um posicionamento mais rígido, mais preparado, mais chega junto”, disse o radialista.
E, de fato, esperava-se mais. Afinal, não é todo dia que um aliado de primeira hora do prefeito rompe com a gestão e anuncia que “vai falar a verdade”. Quando esse alguém é um político experiente, que sempre se destacou como oposição em outras épocas, como é o caso de André Correia, o mínimo que se espera é clareza, franqueza e, sobretudo, respeito à inteligência da população.
Mas o que se viu foi uma tentativa de lavar roupa suja comedida, com um olho no espelho e outro na conveniência. O que se pode depreender é que André Correia não foi à rádio com coragem. Foi com cálculo. Falou muito, mas disse pouco. Criou expectativa demais para entregar de menos.
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante tenha sido deixada no ar, como bem colocou o radialista Silas Gama.
“Quem realmente tirou André Correia do cargo”, perguntou Silas. E mais: quem é essa pessoa misteriosa que, segundo ele, dita as ordens e interfere na gestão?
Se André Correia queria respeito, faltou-lhe postura. Se queria apoio, faltou-lhe verdade. E se queria marcar posição, faltou-lhe firmeza.
O povo não esperava um barraco, como ele ironizou ao fim da entrevista. Esperava, isso sim, um posicionamento honesto, direto e corajoso de André Correia. Mas, por medo, conveniência ou covardia, André preferiu o caminho do silêncio ensaboado. E acabou se tornando personagem de sua própria frustração.