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Quinta-feira, 12 de Fevereiro 2026
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A verdade não precisa de imunidade, mas da coragem que a população esperava de André Correia naquela entrevista

O argumento mais emblemático, e frustrante também, surgiu quando André Correia respondeu ao âncora do programa, dizendo que não era mais vereador e que, portanto, não tinha mais imunidade parlamentar para falar, digamos, o que quisesse.

A verdade não precisa de imunidade, mas da coragem que a população esperava de André Correia naquela entrevista
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Na última segunda-feira (4), a população de Itanhém parou para ouvir André Correia, ex-diretor do Hospital Municipal e ex-vereador, em entrevista a uma edição especial do programa Tribuna do Povo, na Rádio Master FM. No sábado anterior, André havia incendiado as redes sociais com mensagens duras contra o prefeito Bentivi, deixando claro que sua relação com a gestão havia azedado de vez. O cenário, então, estava armado: a expectativa era de revelações impactantes sobre os bastidores do governo, especialmente na área da saúde, onde ele, que é enfermeiro, atuou nos últimos seis meses.

Mas o que se ouviu foi um André Correia contido, calculado e, para muitos, decepcionante. Questionado sobre a ruptura com o prefeito, limitou-se a falar de um “complô” contra si, sem citar nomes. Apontou dificuldades de trabalho, dizendo que nem sequer era bem recebido na Secretaria de Saúde quando levava pedidos de exames para pacientes internados, mas manteve-se num campo vago, como quem tenta molhar o pé sem entrar no rio.

O argumento mais emblemático, e frustrante também, surgiu quando André Correia respondeu ao âncora do programa, dizendo que não era mais vereador e que, portanto, não tinha mais imunidade parlamentar para falar, digamos, o que quisesse. Em outras palavras, André justificou sua cautela pelo medo de eventuais consequências jurídicas.

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É aí que cabe uma importante lição para o ex-vereador, que já cumpriu dois mandatos e conhece bem as responsabilidades e as prerrogativas do cargo. Para falar a verdade, não é preciso imunidade parlamentar; o que realmente importa é o compromisso com a verdade. A imunidade parlamentar, embora essencial para garantir a liberdade de expressão e proteger o mandato de eventuais pressões políticas ou judiciais, é apenas um instrumento jurídico. Ela serve para proteger o parlamentar no exercício do mandato, mas não concede a ele um salvo-conduto para dizer o que quiser somente enquanto estiver no poder.

O verdadeiro respaldo para quem denuncia irregularidades, injustiças ou abusos não está na imunidade, mas na consistência das provas apresentadas, na coerência do discurso e, sobretudo, na coragem para enfrentar os riscos inerentes a essa postura. Essas virtudes não dependem de ter um cargo público ou qualquer tipo de imunidade; dependem, acima de tudo, de um compromisso firme com a população e com a verdade, que é a base para a confiança pública. E é exatamente esse compromisso que, ao que tudo indica, o ex-vereador não demonstrou na entrevista concedida ao Tribuna do Povo especial.

É importante que pessoas que ocupam ou que já ocuparam cargos públicos, entendam que o peso da palavra é imenso, e que omitir informações importantes ou recuar diante da necessidade de esclarecer fatos, além da sua credibilidade, compromete o direito da população de ser informada com transparência e responsabilidade. Não é o cargo ou a imunidade que definem a força de um cidadão, mas a sua integridade e disposição para agir de acordo com seus princípios, mesmo quando isso implica enfrentar dificuldades.

Indubitavelmente, André Correia sempre cultivou, ao longo de sua trajetória política, a imagem de um homem combativo, transparente e disposto a enfrentar quem fosse preciso para defender seus ideais. Essa reputação fez com que muitos depositassem nele uma expectativa de que ele continuaria firme, mesmo fora do mandato, lutando pela verdade e pela justiça. Por isso, sua decisão de recuar diante do microfone das emissoras de rádio, ao invés de reforçar seu posicionamento, soou ainda mais amarga para quem esperava um desabafo corajoso e revelador.

A decepção não se limitou apenas ao conteúdo das suas palavras, mas foi agravada pelo contraste evidente entre o André Correia que a população conheceu, muitas vezes aplaudiu e reconheceu como uma voz firme na Câmara Municipal, e o André que se apresentou na entrevista da Rádio Master FM, retransmitida em cadeia com a Rádio Nova Cidade FM, de Itanhém, e a Rádio Web Regional, de Teixeira de Freitas. Em vez do discurso aguerrido que todos esperavam, tivemos um tom de cautela excessiva e ausência da clareza que sua trajetória política sempre prometeu.

Esse contraste deixa claro que, para um político que ininterruptamente se posicionou como defensor da transparência e da justiça, a imunidade parlamentar nunca poderia ser um motivo para silenciar a verdade. Ao contrário, a verdadeira coragem, aquela que a população esperava, está justamente em falar com responsabilidade, mesmo sem proteção formal, porque a confiança que o eleitor deposita não vem do cargo, mas da integridade e da coragem do representante político.

E aí, claro surgiram as críticas. Em seu pograma matinal, na Nova Cidade, o radialista Silas Gama preferiu resumir, dizendo que André Correia “amarelou”.

As críticas não vieram apenas de Silas Gama e dos opositores. Muitos que votaram em André Correia, e que acreditaram em sua postura firme por ser um político que sempre usava os microfones da Câmara Municipal até para fazer desafios, usava as redes sociais e batia constantemente às portas do Ministério Público, sentiram-se traídos. E a situação piorou quando ele decidiu atacar o ex-prefeito Mildson Medeiros, afirmando que as quase 900 cirurgias realizadas no hospital durante a gestão anterior não deveriam ter acontecido, pois o centro cirúrgico seria inadequado. Mildson rebateu com força, chamando André Correia de mentiroso.

Nem é preciso ter muita percepção para entender que, ao falar do gestor anterior, André Correia escolheu um alvo fácil, como, coincidentemente, Bentivi tem feito para justificar as mazelas de sua administração. Talvez a estratégia de André tenha sido exatamente fugir do alvo que a população esperava dele: a atual gestão municipal.

Se André Correia sabe de irregularidades ou de práticas questionáveis na saúde de Itanhém - e tudo indica que sabe -, não existe desculpa honesta para calar. A transparência não é uma obrigação apenas de quem tem mandato, é dever de qualquer servidor público, de qualquer cidadão, e ainda mais de quem já empunhou a bandeira da moralidade como ele já fez - e fez muito bem, por sinal -, usando os micrifones da Casa do Povo.

No fim, a entrevista deixou um gosto de oportunidade desperdiçada. A verdade não precisa de imunidade, precisa de coragem. E coragem, André, é aquilo que a população esperava de você.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

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