Em um mundo cada vez mais conectado pelas redes sociais, a comunicação instantânea e informal muitas vezes prevalece sobre as formalidades da língua escrita.
A controvérsia em torno da grafia de Werley Reis, utilizando, em um título de vídeo, "X" no lugar de "CH" em "xegando", ressalta uma questão muito importante a ser debatida: a natureza mutável e dinâmica da linguagem, especialmente nas redes sociais. Como jornalista e humilde estudioso da linguagem, reconheço a importância de entendermos o contexto e a função comunicativa por trás dessas variações.
Ferdinand de Saussure, renomado linguista, destacou a arbitrariedade do signo linguístico, ressaltando que a relação entre som e significado é convencional e não natural. Nesse sentido, a escolha de "X" em vez de "CH" por Werley Reis não invalida a compreensão da mensagem, pois, para muitos falantes, a diferença fonética entre essas letras é inexistente.
Além disso, é louvável o reconhecimento da importância da oportunidade na formação educacional e cultural de cada indivíduo. Nem todos tiveram acesso aos mesmos recursos ou experiências de aprendizado, e é injusto julgar alguém com base apenas em sua habilidade ou familiaridade com a norma culta da língua.
Werley Reis não é um linguista ou um escritor profissional, mas sim um político e cidadão comum, sujeito aos mesmos desafios e limitações que qualquer outra pessoa ao se expressar em um ambiente digital. Todos nós estamos sujeitos a cometer erros gramaticais ou ortográficos em determinados momentos, especialmente em contextos informais como no ciberespaço.
Embora alguns possam apontar essa pequena alteração como um descuido gramatical, é importante considerar o contexto em que essa mensagem foi transmitida. Nas redes sociais, a linguagem é frequentemente simplificada e adaptada para uma comunicação mais rápida e acessível. Nesse sentido, é compreensível que algumas convenções ortográficas possam ser flexibilizadas – intencionalmente ou não - em prol da praticidade e da informalidade.
É também importante destacar que a compreensão da mensagem não foi comprometida pela pequena variação na escrita da palavra "chegando". O contexto e o restante da frase permitiram que qualquer pessoa entendesse claramente o que o político estava tentando comunicar.
José Hildebrando Dacanal, em sua obra "Linguagem, Poder e Ensino da Língua", aborda a importância de considerarmos o contexto sociocultural na análise linguística. Nas redes sociais, a comunicação é caracterizada pela informalidade e pela rapidez, onde as normas gramaticais muitas vezes são flexibilizadas em prol da praticidade e da expressividade.
Ao defender Werley Reis aqui, não estamos apenas reconhecendo sua liberdade linguística, mas também destacando a necessidade de compreendermos as diversas formas de expressão presentes em nossa sociedade. Como político e cidadão, ele se comunica em um ambiente onde a norma padrão da língua muitas vezes cede espaço para adaptações criativas e inovadoras.
Ademais, se faz necessário lembrar também que o acesso à educação e oportunidades de aprendizado nem sempre são equitativos. Como mencionado pelos linguistas, a linguagem é uma questão de oportunidade, e ninguém deve ser menosprezado por sua forma de expressão, especialmente em um contexto informal como as redes sociais.
Portanto, ao invés de criticar de forma exacerbada pequenos deslizes linguísticos em contextos informais como as redes sociais, devemos valorizar a comunicação eficaz e a compreensão mútua que essas plataformas proporcionam. Werley Reis conseguiu transmitir sua mensagem de maneira clara e acessível, e isso é o que realmente importa em última instância.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Fotos: Prints das redes sociais