Em pleno século XXI, ainda convivemos com indivíduos que só consideram doença aquilo que sangra ou que se vê. Para esse tipo de visão limitada, transtornos psicológicos não passam de exageros, falta de fé ou “coisa da cabeça”. Essa postura, além de preconceituosa, ignora dados científicos e amplia o sofrimento de milhões de pessoas que enfrentam diariamente transtornos mentais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 970 milhões de pessoas no mundo vivem com algum transtorno mental. Entre os mais recorrentes estão os transtornos de ansiedade e a depressão, que juntos representam a maior parcela dos diagnósticos. No Brasil, estima-se que cerca de 18 milhões de pessoas convivam com algum tipo de transtorno de ansiedade, colocando o país entre os primeiros do mundo nesse ranking preocupante.
Dentro da classificação da OMS, podemos destacar transtornos ansiosos, que inclue a síndrome do pânico, caracterizada por crises repentinas de medo intenso, acompanhadas de sintomas como palpitações, falta de ar, tremores e sensação iminente de morte. Trata-se de uma condição clínica séria, que pode levar à incapacidade se não for tratada. Também reações ao estresse grave e transtornos de adaptação, que incluem o transtorno de estresse pós-traumático, que costuma surgir após situações de violência, acidentes ou grandes traumas. A pessoa revive constantemente o episódio doloroso, desenvolvendo insônia, crises de ansiedade e dificuldades para retomar a vida normal.
A ciência já demonstrou que essas condições têm origem multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Ou seja, não se trata de fraqueza, falta de caráter ou de espiritualidade. São doenças reais, que exigem acompanhamento especializado, seja por meio da psicoterapia, do uso de medicamentos psicotrópicos quando indicados, ou da combinação de ambos.
Ignorar ou ridicularizar esse sofrimento é reforçar o preconceito e afastar as pessoas do tratamento. Comentários como “isso é frescura” ou “isso passa se ocupar a mente” não ajudam, pelo contrário, deslegitimam a dor alheia e aumentam o risco de agravamento, podendo inclusive levar ao suicídio.
É preciso reconhecer que a dor psicológica é tão real quanto a dor física. O fato de não haver sangue ou ferida aparente não significa ausência de sofrimento. Uma sociedade que fecha os olhos para esse problema contribui para a exclusão e para a perpetuação do estigma.
O desafio, portanto, é duplo. Deve-se ampliar o acesso a políticas públicas de saúde mental e cultivar empatia no cotidiano. Porque quem sofre de transtornos mentais não precisa de julgamentos, e sim de compreensão, respeito e acolhimento. Afinal, cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro