Há obras que entram para a história da humanidade como, por exemplo, as pirâmides do Egito, a Grande Muralha da China, o Coliseu de Roma e, agora, Itanhém pode se orgulhar da sua própria maravilha: a tela do lixão, cuidadosamente exibida nas redes sociais por Louro Carroceiro, o mais novo embaixador da gestão Bentivi.
Esqueçam saneamento básico, cestas-básicas para os pobres, estradas patroladas e cascalhadas, merenda e escola de qualidades, cirurgias, médicos e dentistas no hospital e nos postos de saúde. O que realmente marca uma administração visionária, no entendimento do aliado político do prefeito, é impedir que sacolas plásticas do lixão atravessem a estrada de chão batido, que dá acesso à Vila Mutum. Uma tela foi erguida, três cancelas foram instaladas, e pronto: o progresso finalmente chegou com força na cidade.
Quem nos garante isso é Louro Carroceiro, que, entre uma locação e outra do caminhão para a prefeitura, achou tempo de virar cinegrafista oficial. Com o mesmo entusiasmo de Dom Pedro II, que anunciou no final do século XIX a chegada da luz elétrica ao Brasil, ele nos mostrou que agora os plásticos “param na tela” e não invadem mais a estrada. Uma revolução ambiental, digna de espaço na COP 30, que acontece em novembro em Belém, no Pará.
No vídeo, Louro ainda repreende os opositores, aqueles ingratos que não deram a devida importância à tela do lixão. Como se fosse obrigação da população aplaudir (e até da imprensa, quem sabe), compartilhar e bater continência diante da grande obra do prefeito Bentivi. No fundo, Louro Carroceiro só faz o que sempre fez muito bem, que é bajular quem está no poder, garantindo a continuidade do aluguel da sua F-4000.
E assim, Bentivi entra para a história como o gestor que transformou um lixão abandonado em cenário de propaganda política. Itanhém não tem escolas-modelo, o hospital já não realiza cirurgias, os medicamentos estão escassos nas farmácias populares e as estradas só são patroladas quando o produtor fornece o óleo diesel. Mas Itanhém pode se orgulhar de um feito sem precedentes: a tela do lixão erguida para a posteridade. E, convenhamos, não é todo município que pode ostentar uma obra de tamanha magnitude e importância histórica.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro