Domingo, 29 de setembro de 2024. Entramos na última semana da campanha eleitoral.
Nesta semana que passou, o ex-presidente da Câmara de Itanhém, Deilton Porto, o Caboquinho, do Solidariedade, decidiu abandonar sua candidatura para apoiar Magno Pinheiro (MDB). Além, é claro, de trazer à tona sua escolha na reta final, trouxe também uma ironia que não pode ser ignorada por nenhuma pessoa sensata: o "novo" que ele prometia ser se revelou um retorno à velha política que tantos tentam deixar para trás no município de Itanhém.
Caboquinho, que inicialmente se apresentou como uma esperança renovadora, agora se alinha novamente à família Pinheiro. Para justificar sua decisão, ele disse que “Itanhém precisa ser libertada” sob a liderança de Magno Pinheiro. Isso soa como uma contraditória justificativa para uma escolha que, à primeira vista, parece mais um retorno do bom filho à sua casa do que um verdadeiro compromisso com a mudança.
A Fazenda Suiça, escolhida como o palco para esse reencontro político, não poderia ser mais emblemática. O local, que já serviu como quartel-general de campanhas passadas de Neco Batista, o patriarca da família Pinheiro, ressoa com a ideia de que, no fim das contas, o bom filho sempre volta para onde se sente confortável.
(Aqui é necessário abrir um parêntese para explicar que, em um ambiente democrático, a liberdade de fazer escolhas – e de reavaliá-las – é um dos pilares fundamentais de um país republicano como o nosso. A decisão de Caboquinho, apesar de surpreendente para alguns, deve ser entendida como um exercício desse direito. Em política, não há caminhos absolutos. Eu disse isso, e até fui prolixo, excessivamente prolixo, quando fiz parte do grupo de coordenadores da campanha de Mildson Medeiros, até ser vencido pelos ignorantes. Os sábios logo entendem que as alianças são frequentemente formadas e reformuladas em resposta às circunstâncias.)
Mas a ironia em relação à decisão de Caboquinho aqui é inegável: após criar expectativas e prometer um novo caminho, ele decidiu seguir o rastro das tradições políticas que muitos desejam deixar para trás. É sabido por todos que militam na política itanheense que Caboquinho já se alinhou à família Pinheiro em outras ocasiões, o que torna seu retorno ainda mais questionável. Isso reforça a impressão – apenas uma impressão, viu, Caboquinho – de que a busca por inovação era, na verdade, uma mera fachada, um truque retórico que não resiste ao teste da realidade da política em Itanhém.
Enquanto Caboquinho volta à Fazenda Suiça, a pergunta que não posso deixar de fazer é: quem realmente se beneficia dessa escolha? Parte da população de Itanhém, que almeja uma mudança, percebe que decisões como esta não passam de um retorno à velha política, disfarçadas de pragmatismo.
Lamentavelmente, a proposta de mais um novo na política de Itanhém se dissolve. E o que é pior, dissolve-se nas águas turvas da Fazenda Suiça.