A prefeitura de Itanhém registrou uma entrada de quase R$ 15 milhões de recursos nos primeiros dois meses desse ano. Em janeiro, os cofres municipais receberam R$ 6.974.470,22, e, mesmo com fevereiro tendo apenas 28 dias, o valor foi ainda maior: R$ 7.799.339,10.
No total, R$ 14.773.809,32 já foram arrecadados neste ano, sendo esse valor referente apenas aos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). No entanto, a população local enfrenta uma série de problemas, desde atrasos no pagamento de salários de professores até a precariedade nos serviços de saúde e infraestrutura.
Apesar da entrada expressiva de recursos, os professores da rede municipal continuam sem receber os salários atrasados referentes a dezembro de 2024. O atual prefeito tem recorrido à Justiça para contestar uma decisão da comarca de Itanhém que determinava o pagamento imediato dos salários pendentes. Essa postura tem gerado insatisfação entre os educadores e toda a comunidade estudantil, que cobram uma solução rápida para a situação.
Quase 40 dias após assumir o mandato, o prefeito decretou situação de emergência na administração municipal. A medida permite a realização de compras sem licitação, justificada pela necessidade de agilizar a aquisição de insumos e serviços essenciais. No entanto, a decisão levantou questionamentos sobre a transparência e a eficiência na aplicação dos recursos, sendo essa uma prática já utilizada por Bentivi em outra ocasião quando foi prefeito da cidade e foi denunciado pelo Ministério Público.
A prefeitura só retomou o funcionamento pleno no final da primeira quinzena de fevereiro, após um período de portas fechadas. Durante esse intervalo, os postos de saúde ficaram inoperantes 9alguns ainda estão fechados), deixando a população sem atendimento básico. Além disso, ruas ainda estão às escuras e as estradas do município estão em condições críticas, quase intrafegáveis, devido à falta de manutenção constante. A situação é agravada pela falta de medicamentos, inclusive no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que oferece atendimento especializado em saúde mental.
O CAPS é um serviço fundamental para o tratamento de pessoas com transtornos mentais, dependência química e outros problemas psicológicos. A falta de remédios e a desestruturação do serviço afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes que dependem desse atendimento.
Enquanto os números mostram uma arrecadação alta para um município com apenas 17 mil e 800 habitantes, a população cobra respostas concretas para os problemas que afetam o dia a dia.
A gestão municipal, por sua vez, alega que está trabalhando para regularizar as pendências e reorganizar as finanças do município. No entanto, a demora na resolução dos problemas e a falta de transparência nas ações têm gerado desconfiança entre os moradores.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro