A nomeação de Sady Neto como secretário de Educação de Itanhém pelo prefeito recém-empossado, Bentivi (PSB), tem gerado debates entre professores, lideranças sindicais e a comunidade. A decisão rompe com a prática de indicação baseada em uma lista tríplice sugerida pela categoria e reacende discussões sobre os critérios necessários para ocupar um cargo de tamanha importância.
Sady Neto é graduado em Ciências Contábeis e está próximo de concluir uma licenciatura em Matemática, formação acadêmica voltada à docência, que inclui disciplinas pedagógicas e técnicas de ensino. No entanto, sua falta de experiência direta na área educacional e o histórico de sua demissão como secretário de Administração na gestão do ex-prefeito Mildson Medeiros geraram questionamentos sobre sua capacidade de liderar a pasta.
Professores esperavam do novo gestor um processo mais participativo e alinhado às demandas da categoria. A ausência de diálogo no anúncio da escolha tem sido alvo de críticas, inclusive nas redes sociais, embora essa prática não seja inédita na política itanheense. Na gestão de Zulma Pinheiro, por exemplo, Álvaro Pinheiro, irmão da prefeita e sem qualquer formação acadêmica relacionada à educação, foi nomeado para o cargo.
Para entender as repercussões da nomeação, professores ouvidos pelo Água Preta News destacaram suas preocupações. Marco Pires, diretor da APLB Sindicato em Itanhém, enfatizou a falta de consulta aos profissionais da educação.
“Aguardávamos um posicionamento do novo gestor referente à participação do sindicato no processo de escolha.” Segundo ele, “preferencialmente, o nomeado deveria ser alguém com mais experiência no âmbito escolar.”
Uma fonte que atua na sala de aula, sob anonimato, observou que a escolha de Sady Neto pode refletir a dificuldade de encontrar nomes dispostos a assumir a secretaria, considerando as propostas pouco atrativas do prefeito Bentivi para a educação. Para a fonte, “a ausência de formação específica pode impactar negativamente, mas uma equipe pedagógica forte pode mitigar os problemas.”
Outros educadores se mostraram mais incisivos. Um deles, também sob a garantia de sigilo, descreveu a decisão de escolher Sady Neto como “algo catastrófico” e afirmou que ela gera insegurança sobre o futuro da educação no município. “Há nomes mais qualificados e comprometidos com a categoria. A falta de experiência de Sady compromete o planejamento pedagógico e prejudica o desempenho dos alunos.”
A nomeação também reacendeu debates sobre a relevância da formação e da experiência em gestão educacional. Embora a licenciatura em Matemática de Sady Neto esteja próxima da conclusão, educadores questionam se isso será suficiente para enfrentar os desafios que a secretaria demanda, especialmente em um contexto onde as escolas enfrentam problemas estruturais.
Além disso, a relação histórica entre o prefeito Bentivi e a classe dos professores agrava as preocupações. Em suas duas gestões anteriores, Bentivi enfrentou momentos tensos com a categoria, incluindo greves frequentes e críticas à precariedade da infraestrutura escolar. O episódio mais emblemático ocorreu no Colégio São Bernardo, onde um adolescente morreu eletrocutado devido à falta de manutenção na rede elétrica da escola. Essas memórias ainda são vivas entre os educadores e a comunidade, que temem uma repetição de erros passados.
A nomeação de Sady Neto revela a tensão entre a gestão municipal e os professores. A falta de diálogo reforça a necessidade de um maior alinhamento entre a administração e a categoria para assegurar avanços na educação do município.