Há momentos na política em que o silêncio diz mais do que qualquer discurso. O caso envolvendo o vereador Fábio Pereira, do distrito de Ibirajá, é um desses.
A denúncia é simples e, ao mesmo tempo, devastadora. Trabalhadoras humildes, garis, teriam sido orientadas a devolver parte de seus salários. Não estamos falando de cifras milionárias, nem de contratos complexos. Estamos falando do dinheiro de quem varre ruas, de quem enfrenta sol, chuva e desgaste físico para garantir o mínimo.
Se confirmado, o episódio ultrapassa o campo da irregularidade administrativa e entra no terreno da imoralidade.
Mas há algo ainda mais inquietante, a tentativa de normalizar o absurdo. Um vereador, cuja função é legislar e fiscalizar, aparece, segundo os relatos, atuando como gestor, contratando, intermediando pagamentos e, pior, supostamente solicitando devoluções.
Com base em qual autoridade o vereador agiu assim? Essa é a pergunta que precisa ser respondida.
E há outra pergunta, talvez ainda mais incômoda. Para quem iria esse dinheiro?
Até agora, não há resposta clara. Há áudio, há relato, há repercussão nas redes sociais, mas não há explicação convincente.
E então chegamos ao prefeito Bentivi.
Conhecido por comentar gestões anteriores com frequência, o chefe do Executivo agora adota uma postura discreta. Silenciosa. Convenientemente silenciosa.
Se não há irregularidade, que se prove. Se há, que se investigue.
O que não é aceitável é que denúncias dessa gravidade sejam tratadas como ruído passageiro. Porque não são. São, na verdade, o tipo de situação que define o caráter de uma gestão pública.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Prefeito Bentivi e seu aliado político, vereador Fábio.