Recentemente, recebi um vídeo que, diferente da maioria dos conteúdos vazios das redes sociais, trazia uma reflexão profunda sobre a natureza da submissão. Nele, uma mulher simulava colocar um cabresto em um lindo cavalo, sem realmente usar qualquer equipamento, apenas fingindo estar guiando o animal com uma rédea invisível. Para a minha surpresa, o cavalo seguiu obedientemente cada um de seus comandos, como se estivesse, de fato, sob controle físico. Essa cena, ao mesmo tempo curiosa e reveladora, traz um paralelo impressionante com o comportamento dos vereadores de Itanhém — de todos, sem exceção — diante da atual gestão do prefeito Bentivi (PSB) até agora.
Os 11 vereadores do município têm se comportado como o cavalo do vídeo: subservientes, sem a menor resistência, sem questionamentos, sem sequer tentar cumprir o papel que lhes foi confiado pelos eleitores. A administração municipal está mergulhada na inoperância, com postos de saúde fechados, ruas da sede, vilas e distritos às escuras e recursos públicos sendo empenhados para beneficiar familiares do prefeito. No entanto, o que fazem os vereadores? Nada. Estão completamente domados, sem necessidade de cabresto visível, mas presos a uma submissão que se revela na omissão e no silêncio.
Recebendo salários de R$ 9.000,00 mensais, com direito a décimo terceiro e férias, esses vereadores possuem independência financeira suficiente para se posicionarem com autonomia. Além disso, com as redes sociais à disposição, poderiam, se quisessem, expor os problemas da cidade e cobrar soluções. Mas, como o cavalo que segue a falsa rédea, parecem incapazes de tomar qualquer iniciativa contra os desmandos do Executivo. Há casos ainda mais emblemáticos: um vereador chegou ao cúmulo de comprar, do próprio bolso, lâmpadas para trocar a iluminação pública de uma vila – função que cabe à prefeitura – e depois fez questão de exaltar Bentivi na imprensa local, como se o prefeito fosse merecedor de elogios pelo abandono generalizado que impera no município.
Esse tipo de comportamento reforça a velha prática da política da submissão, onde os representantes do povo se tornam apenas marionetes do Executivo, ignorando suas reais funções e responsabilidades. Em vez de exercerem o papel de fiscalização e cobrança, via de regra, assumem o lugar de bajuladores e executores de ações paliativas, como a troca de lâmpadas queimadas, enquanto a população segue sofrendo com a precariedade dos serviços básicos.
Os vereadores de Itanhém não precisam de um cabresto físico, porque parecem já terem sido domados pelo comodismo, pela conveniência e pelo medo de desagradar quem detém o poder. Mas, assim como o cavalo do vídeo, um dia podem perceber que nunca houve uma rédea real os prendendo. Resta saber se terão coragem de se libertar ou se continuarão sendo conduzidos, sem resistência, para onde o Bentivi quiser levá-los.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Foto capturada do vídeo.