Nesta terça-feira de carnaval estive em um local à margem da estrada que liga a cidade de Itanhém à Vila São José, logo após a comunidade conhecida por Santa Maria, onde seriam construídas as 44 casas populares destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. O que vi foi um verdadeiro retrato do descaso e da injustiça. Em vez de moradias dignas, encontrei um terreno abandonado, tomado pelo mato, com apenas 13 casas erguidas, das quais somente 4 foram rebocadas. Havia também ali duas bases construídas como testemunha de um projeto interrompido. E nada mais. Nenhuma telha, nenhuma porta, nenhum rastro de compromisso. Ali, o que deveria ser abrigo tornou-se monumento ao descaso e, assim, o sonho de dezenas de famílias foi brutalmente arrancado por aqueles que deveriam zelar pelo bem público.
A indignação aumenta quando lembramos que, no último dia 24 de janeiro, o ex-deputado petista, Jacó, denunciou o desaparecimento de pelo menos R$ 1 milhões e 800 mil que deveriam ter sido aplicados nessa obra. O convênio firmado entre a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) e a Prefeitura de Itanhém previa a construção das casas, mas apenas 10% da obra foi concluída, com um gasto de aproximadamente R$ 200 mil, segundo Jacó.
Para onde foi o restante do dinheiro? Será que sumiu mesmo assim como um truque de mágica?
Essa é a pergunta que ninguém responde. Sabe-se apenas que o convênio foi cancelado em outubro de 2023, e até hoje o ex-prefeito Mildson Medeiros, do Avante, não deu uma explicação sobre o paradeiro desses recursos. O silêncio dele é um tapa na cara das famílias que esperavam ter um teto para chamar de seu.
Os culpados por essa situação lamentável são tanto irresponsáveis com a coisa pública quanto verdadeiros destruidores de sonhos – e aqui devem ser incluídos também aqueles que tinham o dever de fiscalizar e não o fizeram. Pessoas ruins que, sem qualquer remorso, não estão nem aí para os mais necessitados. Mas uma coisa não se contesta: aqueles que privaram famílias carentes de uma vida mais digna terão, um dia, que acertar as contas com o Criador. E lá não haverá silêncios coniventes, sob nenhuma alegação.
O silêncio cúmplice e a impunidade não podem prevalecer. Cabe aos órgãos competentes investigar e responsabilizar quem quer que tenha se beneficiado de um suposto desvio vergonhoso. Não podemos deixar que mais um suposto crime contra os pobres caia no esquecimento.
