Os acontecimentos jurídicos que envolve a candidatura de Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), coloca em evidência questões fundamentais sobre a integridade e a eficácia das normas que regem a atuação da Câmara de Vereadores de Itanhém. A situação envolvendo Bentivi, que, em um primeiro momento, foi declarado inelegível devido a questões que remetem ao antigo Regimento Interno, ilustra como um conjunto de regras ultrapassadas pode gerar distorções e injustiças no processo democrático.
O antigo regimento da Câmara de Itanhém era, sem dúvida, um ambiente fértil para a hermenêutica jurídica, permitindo interpretações que mais favoreciam a astúcia dos advogados do que o respeito à legalidade. Pela grande admiração que tenho aos profissionais do direito, faço aqui questão de enfatizar que me refiro à astúcia legal.
A fragilidade no texto do antigo Regimento Interno da Câmara de Itanhém proporcionou uma oportunidade espaçosa para que a defesa de Bentivi argumentasse que seu direito à ampla defesa e ao contraditório, pilares da justiça, havia sido cerceado. Como resultado, o Tribunal de Justiça da Bahia concedeu uma liminar que possibilitou ao candidato participar das eleições de 6 de outubro, com a esperança de, caso eleito, assumir a Prefeitura de Itanhém. Essa manobra destaca a grande importância da revisão profunda das normas que regem a atuação do legislativo municipal, feitas pelo atual presidente Renato Correia e seus pares.
Outro episódio emblemático, anterior ao processo eleitoral de Bentivi, revela ainda mais as falhas do regimento antigo: a anulação da eleição da mesa diretora da Câmara de Itanhém, onde a vitória de Sasdelli Resende foi desfeita devido a irregularidades que, novamente, emergiram das brechas no regimento, que não tinha reformulação ampla desde 2007. Na ocasião, a nova eleição, vencida por Deilton Porto, o Caboquinho, trouxe à tona a necessidade de um reexame profundo das normas que regem as práticas legislativas.
Essa realidade só mudou com a chegada de Renato Correia. Visionário, ele tomou a iniciativa de reformular um regimento que, por 16 anos, clamava por atualização. No dia 23 de outubro do ano passado, ele entregou uma cópia do novo regimento aos vereadores. A proposta de reforma foi aprovada por unanimidade. Essa nova legislação busca normalizar questões jurídicas e regulamentares, estabelecendo um caminho mais claro e justo para o funcionamento da Câmara.
A atitude proativa de Renato Correia é digna de reconhecimento deste jornalista neste humilde artigo de opinião. Sua determinação em assegurar que a Câmara de Vereadores de Itanhém atue com transparência e eficiência é um reflexo do compromisso em organizar o Poder Legislativo para melhor servir à comunidade. A atualização do regimento elimina as aberrações do passado e promove um ambiente que favorece a igualdade e a justiça.
O caso de Bentivi e de Sasdelli é um lembrete claro de que, sem um regimento sólido e bem estruturado, o espaço para manobras jurídicas pode resultar em decisões que colocam em risco a legitimidade do processo eleitoral, como o que vem acontecendo nas eleições municipais deste ano. As novas regras trazem a promessa de um futuro mais transparente e justo, no qual as diretrizes que regem a atuação dos representantes são bem mais claras e eficazes.
A reforma do Regimento Interno da Câmara de Itanhém, então, deve ser entendido como um passo fundamental para garantir que episódios como os vividos por Bentivi e a eleição da mesa diretora não se repitam.
Outras mudanças
Uma das mudanças mais importantes e que merece destaque é a proibição definitiva da reeleição da mesa diretora. O regimento anterior deixava espaço para interpretações, o que gerava incertezas, debates e questionamentos jurídicos sobre a possibilidade de reeleição. Com a nova redação, fica estabelecido que a mesa diretora não poderá ser reeleita, reforçando o caráter democrático da instituição.
Outra mudança relevante é a adaptação do regimento à atual composição da Câmara Municipal, que agora conta com 11 vereadores, em oposição aos 13 representantes de 2007. Essa alteração busca otimizar os procedimentos legislativos e administrativos, tornando-os mais compatíveis com o tamanho da atual legislatura.
Além disso, o novo Regimento Interno contempla outras atualizações que visam aprimorar o funcionamento do Legislativo Municipal. Entre essas mudanças estão a regulamentação de processos administrativos internos, o estabelecimento de regras claras para o funcionamento das sessões e o aprimoramento dos critérios de participação pública, permitindo uma maior inclusão da comunidade nas decisões políticas.
O Regimento Interno revisado aborda também questões relacionadas ao processo legislativo, às comissões permanentes, ao funcionamento das sessões e aos procedimentos de votação. Essas atualizações têm o objetivo de tornar o processo de tomada de decisões mais transparente.