A fé que move montanhas também é capaz de percorrer estradas. Depois de 17 dias de viagem e aproximadamente 700 quilômetros percorridos a cavalo, a Comitiva dos Muladeiros de Água Preta, conclui nesta segunda-feira (13) uma emocionante romaria para Bom Jesus da Lapa, fortalecendo os laços de amizade, respeito e religiosidade entre seus participantes.
A jornada teve início no dia 27 de junho, quando os romeiros partiram da cidade de Itanhém, historicamente conhecida como Água Preta, rumo ao maior santuário católico da Bahia. Pelo caminho, enfrentaram o frio das madrugadas, o calor do sertão, a poeira das estradas e o cansaço natural de uma longa cavalgada. Em contrapartida, encontraram acolhimento, companheirismo e renovaram diariamente a fé que impulsionaram os romeiros até o destino final.
Ao longo do percurso, a comitiva passou por diversas localidades da Bahia e Minas Gerais, onde realizou as paradas programadas para descanso dos cavaleiros e dos animais. Além de Itanhém, o roteiro incluiu Batinga, Felisburgo, Jequitinhonha, Pedra Azul, Divisa Alegre, Machado Mineiro, Lagoa Preta, Cordeiros, Caculé, Brejinho das Ametistas, Pajeú dos Ventos, Riacho de Santana, até chegar à cidade de Bom Jesus da Lapa.
Muito mais que uma cavalgada, a romaria representa um verdadeiro ato de devoção. Para os participantes, cada quilômetro percorrido simboliza uma oração silenciosa, um agradecimento, uma promessa cumprida ou um pedido depositado nas mãos do Bom Jesus.
As imagens registradas no santuário mostram a união do grupo, os cavalos perfilados em frente ao complexo religioso e os cavaleiros celebrando o cumprimento de mais uma missão de fé, preservando uma tradição que há muitos anos faz parte da cultura baiana.
“Além do aspecto religioso, a romaria também reforça valores que acompanham a comitiva durante todo o trajeto”, explica o radialista Waguinho Borges, que é um dos organizadores do evento, acrescentando que “respeito, amizade, gratidão e solidariedade estão presentes em cada etapa da viagem, tornando a experiência uma verdadeira demonstração de convivência comunitária.”
Nesta segunda-feira (13), encerra-se oficialmente a peregrinação. Os cavaleiros retornam para casa de ônibus, enquanto os animais são transportados em caminhões apropriados, garantindo conforto e segurança após o longo percurso.
A conclusão da romaria deixa entre todos os participantes o sentimento de que a certeza de que o sacrifício valeu a pena. Afinal, para quem percorre 700 quilômetros movido pela fé, o destino final representa a renovação da fé, da esperança, da gratidão e da confiança em Deus.
Mais do que cumprir uma tradição, os Muladeiros de Água Preta, que também já fizeram duas viagens a Porto Seguro e uma a cidade mineira de Machacalis, escreveram, mais uma vez, uma bonita página da história de Itanhém. Uma história construída no ritmo dos cascos dos animais e na força da amizade e da fé.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro