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Notícias / POLÍTICA

Jornalista Edvaldo Alves interrompe áudio da primeira-dama de Itanhém; “tem uma voz por trás aí”

O questionamento feito pelo jornalista, se haveria alguém “botando palavras na boca” da primeira-dama, é um alerta que somente anos de radiojornalismo consegue facilitar.

Jornalista Edvaldo Alves interrompe áudio da primeira-dama de Itanhém; “tem uma voz por trás aí”
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A propagação do áudio da primeira-dama e secretária da Assistência Social de Itanhém, Lidiane Guimarães, que havia sido amplamente divulgado nas redes socials da cidade ganhou repercussão regional a partir da escuta atenta feita pelo jornalista Edvaldo Alves, durante a apresentação do material no Jornal Liberdade, programa veiculado por diversas emissoras do extremo sul da Bahia, inclusive pela Rádio Master FM. Foi Edvaldo quem, ao vivo, na última sexta-feira (16), interrompeu a reprodução da fala ao perceber a presença de uma segunda voz ao fundo, interferindo no discurso da mulher do prefeito Bentivi.

O questionamento feito pelo jornalista, se haveria alguém “botando palavras na boca” da primeira-dama, é um alerta que somente anos de radiojornalismo consegue facilitar. Nasceu da prática de quem lida diariamente com sonoras, entrevistas e gravações, e sabe que detalhes aparentemente sutis podem alterar completamente a compreensão de uma mensagem.

Do ponto de vista técnico, parece não ser possível afirmar, com responsabilidade, o conteúdo literal do que a voz secundária diz. O áudio não permite, apenas com a audição humana, esse grau de precisão.

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O que se pode afirmar é a existência de interferência externa perceptível, algo que compromete a espontaneidade da fala de Lidiane Guimarães. Há pausas, retomadas e mudanças de entonação durante toda a fala, que coincidem com sons vocais ao fundo, levando a uma interpretação de de fala orientada. Não se trata de ruído ambiente comum, tipo alguém que apenas está por perto, mas de uma interferência que dialoga diretamente com a construção do discurso.

Faço essa observação com a tranquilidade de quem tem mais de três décadas de vivência no jornalismo, acostumado à escuta e à análise de sonoras, entrevistas políticas, falas improvisadas e discursos ensaiados. Soma-se a isso, sem nenhuma arrogância ou exaltação, a formação acadêmica que tenho em Letras Vernáculas, que contribui diretamente para a leitura crítica da linguagem, da entonação e da construção discursiva, permitindo identificar detalhes finos entre oralidade espontânea e enunciados moldados por estratégias retóricas. Completa essa experiência a formação no bacharelado, que ensina justamente a diferenciar expressão autêntica de comunicação estratégica, algo recorrente na política, às vezes até de forma suja. Essa combinação de prática profissional e base teórica, permite afirmar com segurança onde termina o fato audível e onde começaria a especulação.

É importante frisar que ninguém está proibido de se orientar antes ou durante uma fala, seja pública ou não. O problema não é a orientação em si, mas a tentativa de apresentar como espontâneo aquilo que aparenta ser dirigido. E é exatamente nesse ponto que a observação feita por Edvaldo Alves ganha peso, quando questiona a forma como a defesa da gestão de Bentivi feita pela sua mulher, que também é sua secretária, é construída e apresentada ao público do município de Itanhém – ainda que de forma estratégica utilizando o meio privado das redes socais.

Ao trazer esse detalhe, ao vivo, durante a apresentação do programa de rádio mais ouvido no horário de meio-dia na região, Edvaldo Alves cumpriu uma função essencial do jornalismo, que é ajudar o ouvinte a perceber o que nem sempre está claro.

Também merece atenção o fato de que a fala de Lidiane Guimarães tinha uma interlocução claramente definida, inclusive mencionada por ela no início da gravação. Esse elemento é suficiente para contextualizar o discurso e compreender que a manifestação não se dá no vazio, e sim dentro de uma estratégia comunicacional dirigida, o que reforça a necessidade de uma escuta crítica e mais atenta.

Assim, o mais prudente é aguardar. Eventualmente, podem ser necessárias novas análises técnicas ou até mesmo a submissão do áudio a um laboratório especializado, a fim de verificar se é possível identificar o conteúdo da segunda voz e esclarecer se há, de fato, interferência externa na fala da primeira-dama, questão levantada publicamente pelo jornalista Edvaldo Alves, ao sugerir que ela estaria vocalizando posições atribuídas à gestão do prefeito.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

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