Há quem ainda acredite em milagres políticos. Gente que, a cada eleição, se encanta com as mesmas promessas embrulhadas em papel novo. Falam em mudança, trabalho e compromisso com o povo, como se essas palavras não tivessem sido desgastadas até o osso pelas administrações passadas. E lá vai o povo, mais uma vez, acreditando — até que a realidade se encarrega de mostrar que o enredo é o mesmo, só mudam os figurantes.
O prefeito Bentivi (PSB) é um desses personagens reincidentes do folclore político de Itanhém. Já foi prefeito, voltou a ser e, no fundo, nunca deixou de agir como se a prefeitura fosse um feudo familiar. Sua gestão parece movida por conveniências e não por planejamento. Quem tem laço de sangue ou de dinheiro com o poder, sobrevive. Quem tem só necessidade e esperança, fica à margem, assistindo de longe às promessas que evaporam como fumaça.
É curioso notar como o discurso de campanha costuma ser cheio de empolgação, de compromisso com a Itanhém do futuro, de planos para saúde, educação e geração de emprego. Mas basta o prefeito sentar-se na cadeira para que o entusiasmo se transforme em descaso, e o plano de governo vire um caderno de anotações para os mais próximos. Um parente aqui, um amigo ali, um empresário acolá. O resto que espere ou que se conforme. Esta é a triste realidade que segue dia após dia na terra de Água Preta.
O povo, que já viu esse filme muitas vezes, começa a perder o encanto. Já não se ilude com os anúncios das ordens de serviços das obras do prefeito anterior feitas pelo atual gestor, nem com os sorrisos e espetáculos de Bentivi e sua mulher secretária, estretegicamente postados em vídeos e fotografias nas redes sociais. Afinal, já dissemos em outras oportunidades que Itanhém precisa de gestão, não de espetáculo. Precisa de trabalho de verdade, não de tapinhas nas costas. E o mais triste é perceber que, com tantos anos de vida pública, o prefeito que aí está parece ter desaprendido a ouvir o que vem de fora do seu círculo dourado. As tardes de conversas fiadas ao lado de bajuladores, regradas à bebida e carne assada e vinagrete parecem ter se tornado o retrato mais fiel de uma gestão que se alimenta de elogios e se embriaga da vaidade, que indubitavelmente tomou o lugar do trabalho sério, da escuta do povo e do compromisso com a cidade.
Se governar é servir, Bentivi tem servido a um grupinho cuidadosamente escolhido para ser beneficiado em detrimento da coletividade, que segue à margem, pagando a conta dos privilégios alheios. E se política é compromisso, o dele parece ser apenas com quem o bancou. A população continua esperando o dia em que o gestor desça do pedestal e volte a enxergar a cidade como um conjunto de pessoas, e não como uma planilha de interesses familiares e de amizades.
Mas, quem conhece as verdadeiras intenções de Milton Ferreira Guimarães — ironicamente chamado nas redes sociais de Milton Ribeiro Guimarães — percebe que Itanhém não pode mais confiar em mudanças de comportamento em políticos dessa espécie, afinal, faz tempo que deixamos de acreditar na existência do saci e da mula sem cabeça.
Fonte/Créditos: Artigo de Edelvânio Pinheiro