O prefeito de Itanhém, Bentivi (PSB), esteve no distrito de Batinga na última segunda-feira (12), para assinar a ordem de serviço do calçamento de três ruas. A cerimônia aconteceu no Clube Social da localidade e, para quem não conhece os bastidores, parecia mais um feito pessoal do gestor. O problema é que não foi. A obra, orçada em mais de R$ 283 mil, é fruto de um contrato celebrado em 2023 pelo ex-prefeito Mildson Medeiros (Avante), após articulação junto ao deputado federal Paulo Magalhães (PSD). Ou seja, o investimento é resultado direto de uma conquista do prefeito anterior, mas Bentivi preferiu apagar essa parte da história, como se os moradores de Batinga e de todo o município não merecessem saber a verdade.
Consultadas pelo site Água Preta News, pessoas presentes ao evento relataram que Bentivi não falou sobre a origem dos valores da obra; uma delas disse que ele “não mencionou nomes, apenas disse que era um recurso que ele resgatou”. A frase, aparentemente inofensiva, carrega consigo a essência do que falta à atual gestão: humildade, honestidade e, acima de tudo, respeito com a população. Em vez de reconhecer o mérito alheio e dar os devidos créditos, o prefeito optou pela omissão e pela apropriação de um feito que não é seu. É a política da vaidade, onde o ego se sobrepõe à verdade.
Esse tipo de postura não é novidade na administração de Bentivi. Desde que reassumiu a prefeitura, ele vem adotando medidas que travam o desenvolvimento do município. Atrasos administrativos e a clara dificuldade em dialogar com a comunidade têm sido marcas constantes de sua gestão. E, quando surge a oportunidade de mostrar serviço, ele faz questão de vestir uma obra com a sua própria assinatura, mesmo que ela tenha sido costurada por mãos que ele se recusa a reconhecer.
A vaidade na política é perigosa. Ela constrói uma narrativa distorcida da realidade e impede que os cidadãos saibam quem realmente está trabalhando por eles. Um gestor público que não consegue ser transparente num simples gesto de agradecimento dificilmente será honesto em decisões mais complexas. A verdade é que quem age assim não governa com espírito público, mas com espírito de autopromoção.
Os moradores de Batinga e de todo o restante do município não precisam de um prefeito que posa de herói em cima do trabalho dos outros. Precisam de alguém que respeite a memória e os esforços daqueles que vieram antes, que saiba unir forças em prol do bem comum, e que compreenda que política não é palco para vaidades, mas um espaço de serviço e compromisso com a coletividade.
Ao tentar apagar o nome de quem realmente viabilizou a obra, Bentivi cometeu um ato de desonestidade intelectual; ele revelou uma face autoritária de sua gestão, aquela que se incomoda com qualquer brilho que não seja o seu. E, ironicamente, é essa postura que mais escurece a sua própria imagem diante do povo.
Em tempos em que a população clama por gestores sérios, éticos e comprometidos com a verdade, atitudes como essa mostram por que Itanhém ainda caminha a passos lentos. A falta de humildade e de reconhecimento pode parecer pequena, mas revela um caráter que não combina com os ideais de uma cidade que quer crescer.
Se Bentivi quer mesmo resgatar alguma coisa, que comece resgatando a decência na política e o respeito ao povo que ele representa e a quem, antes deles, foi a Salvador buscar o calçamento de três ruas para Batinga: Mildson Medeiros.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Foto do PodCafé: Desatencioso, Bentivi parece ver celular, enquanto vereador representante de Batinga fala de sua luta em defesa do seu povo.