A cidade de Itanhém está completando neste domingo, 14 de agosto, 64 anos de emancipação política e administrativa.
A boa e velha história – que pode até exagerar, mas nunca mente – narra que a emancipação itanheense ocorreu em 14 de agosto de 1958, para homenagear um grande baiano chamado Antônio Garcia de Medeiros Neto, que havia falecido em 1948 e deixado seu nome na história do Brasil, tendo, entre outras coisas, presidido o Senado Federal entre 1933 e 1937. Como forma de homenagear o grande alcobacense, Itanhém e Medeiros Neto foram emancipadas em 1958, dez anos após o falecimento do ilustre advogado, político e pecuarista. A cidade de Medeiros Neto foi batizada homonimamente.
As duas cidades se emanciparam no mesmo ano, mas a história de Itanhém vai mais longe e se impõe pela relevância da localidade – inicialmente chamada de Água Preta – e pela representatividade de seus líderes – como Simplício Binas, Sady Teixeira, Moisés Moreira e José Resende – em toda a região.
“Para ilustrar, em 1930, Itanhém já ostentava o título de distrito de Alcobaça, o que Água Fria (atual Medeiros Neto), Batinga e Ibirajá só conquistariam em 1953, cinco anos antes da emancipação”, informou Almir Zarfeg.
Ele acrescentou: “Durante grande parte do século XIX e até meados do século XX, Alcobaça se destacou na região como polo político, social econômico e Água Preta (atual Itanhém) ganhou importância por causa das atividades econômicas desenvolvidas à base do comércio, agricultura, extração de poaia e pedras preciosas, o que atraiu levas de mineiros vindos do Vale Jequitinhonha”.
Ainda segundo ele, entre o final da década de 40 e metade da década de 50, os itanheenses elegeram três vereadores para a Câmara Municipal de Alcobaça: Moisés Moreira de Alcântara, Sady Teixeira Lisboa e Rubens David Silva, nessa ordem.
Itanheense da gema, Zarfeg está preparando uma trilogia para homenagear sua terra natal e imortalizar tudo isso literária e historicamente. Esse esforço de escrita começou há mais de 30 anos com o livro de poemas “Água Preta”, publicado originalmente em 1991. O segundo livro – intitulado “Tecelão de ditos e feitos” – saiu pela primeira vez em 2010, para marcar o centenário de nascimento de Sady Teixeira Lisboa. O terceiro livro – batizado de “Viva Água Preta!” – está em fase de conclusão.
“Esta é minha maneira singela e paciente de declarar meu amor e gratidão à minha terra natal e aos meus conterrâneos, sem os quais não existiria Zequinha Afonso nem Almir Zarfeg, pai e filho, nem nada”, concluiu.
No momento, o jornalista e poeta Almir Zarfeg lidera a criação do Instituto Histórico e Geográfico do Itanhém (IHGI), que terá sede em Teixeira de Freitas e homenageará Antônio Garcia de Medeiros Neto como patrono-geral.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Foto: Dani Ferraz, filha de Zarfeg, exibindo algumas obras zarfeguianas