Crônica de Edelvânio Pinheiro*
Há manhãs em que o sol nasce, os pássaros cantam, as portas se abrem e a cidade segue sua rotina. Mas há outras em que parece que até o tempo entende que é preciso caminhar mais devagar.
Esta quinta-feira, dia 17 de setembro de 2026, foi assim.
Itanhém amanheceu de luto pela partida de um de seus filhos ilustres. Um homem que deixou três filhos, uma neta, uma família inteira mergulhada na saudade e uma cidade com a sensação de que perdeu alguém que não era apenas mais um entre tantos.
Perdeu Horlande Alves Gomes, aos 62 anos.
E perder alguém como ele é perder uma parte daquilo que torna uma cidade humana.
Horlande era um homem de fé. De luz. Um homem daqueles que talvez nunca tenha imaginado o tamanho da marca que deixava nas pessoas simplesmente por ser quem ele era.
Bom pai. Bom filho. Bom avô. Bom irmão. Bom amigo.
Há títulos que nenhuma profissão consegue conceder e nenhum diploma consegue substituir, não é verdade? São aqueles que a vida entrega lentamente, depois de anos de convivência, de gestos, de respeito e de amor.
Horlande recebeu esses títulos.
Na educação construiu parte de sua trajetória pelo trabalho. Em casa, construiu uma história muito maior. A história de um pai que agora deixa aos filhos a dor da ausência, mas também o legado de tudo aquilo que ensinou pelo exemplo.
E exemplo é uma coisa curiosa.
A gente pode esquecer muitas palavras que alguém disse. Pode esquecer datas, conversas e até detalhes de determinados encontros. Mas dificilmente esquece a maneira como uma pessoa nos fez sentir.
Horlande fez muita gente se sentir bem e Talvez por isso sua partida doa tanto em nós, nesse momento.
A morte chegou silenciosamente nesta manhã e levou um homem de apenas 62 anos. Mas não levou suas histórias. Não levou suas amizades. Não levou o amor que construiu dentro de sua família. Não levou a fé que carregava consigo.
Porque há pessoas que, mesmo quando partem, continuam presentes.
Estão naquele lugar onde costumavam sentar. Na lembrança de um amigo. Na voz de um filho. No abraço de uma neta. Em uma fotografia antiga. Em uma conversa que alguém vai lembrar daqui a muitos anos ainda. E será justamente assim que ele continuará vivendo perto de nós.
Claro, sabemos que saudade é uma espécie de morada para quem partiu. Quanto mais se ama, maior parece ser o espaço deixado pela ausência.
Por isso, hoje, não é apenas a família de Horlande que chora. Itanhém toda chora também.
Chora porque reconhece a falta que fará um homem bom. Chora porque algumas pessoas se tornam parte da própria história de uma cidade. Chora porque 62 anos parecem pouco quando ainda havia tanto por viver, tantos abraços por dar, tantas histórias para contar e tantos momentos para compartilhar com a gente.
Mas talvez a vida não seja medida apenas pelo tempo que conseguimos permanecer aqui. Talvez seja medida pelo que conseguimos deixar enquanto estivemos aqui.
E Horlande deixou muito. Deixou amor, amizade, exemplo e muita fé.
Hoje, talvez as lágrimas sejam inevitáveis. Amanhã, elas continuarão existindo, porque a saudade não tem pressa.
Mas chegará o dia em que falar de Horlande não será apenas falar da dor de sua partida. Será falar de sua vida. E então, entre uma lágrima e um sorriso, alguém lembrará de alguma história, de algum gesto, de alguma palavra e dirá que ele era um homem bom.
E talvez não exista homenagem maior.
Porque, no fim de tudo, quando a vida se cala e quando o último adeus é pronunciado, o que realmente permanece é aquilo que fomos no coração das pessoas.
Horlande foi amor e luz.
E luz, quando é verdadeira, não se apaga. Apenas muda de lugar.
Esta crônica é uma homenagem de Edelvânio Pinheiro e Hinho Ferraz ao amigo Horlande.