Se há um vitorioso nas urnas de Itanhém nas eleições de 2026, é o grupo de sete vereadores liderado pelo presidente da Câmara Municipal, Paulinho Correia. Os números mostram que o grupo colocou seus candidatos no topo das duas disputas proporcionais, a de deputado estadual e a de deputado federal, e deixou para trás nomes apoiados pelo prefeito Bentivi (PSB) e pelo ex-prefeito Mildson Medeiros (Avante).
A candidata a deputada estadual mais votada no município foi Kátia Oliveira (UNIÃO), com 1.607 votos, ou 16,02% dos válidos. Ela recebeu o apoio dos vereadores Paulinho Correia, Renato Correia, Deó, Nem Mendes, Jurandir, Gelson Picoli e Guido Boy.
Em segundo ficou Ângelo Almeida (PT), apoiado pelo prefeito Bentivi, com 1.509 votos (15,04%).
A distância aumenta no terceiro lugar. Andrea Castro (PSD), candidata do ex-prefeito Mildson Medeiros, teve 766 votos (7,64%), menos da metade da votação de Kátia Oliveira. Na prática, o grupo de vereadores superou a candidata do ex-prefeito por 841 votos.
Em quarto lugar ficou o Coronel França (PL), com 668 votos (6,66%). A quinta colocada foi Penelope Belitardo (PDT), esposa do prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Belitardo, com 645 votos (6,43%).
Entre os votos para deputado estadual no município, 10.030 foram válidos, 505 foram brancos (4,62%) e 399 foram nulos (3,65%). As abstenções somaram 3.982 (26,70%).
"Voto casado"
Na disputa federal, o primeiro colocado foi Mario Negromonte Jr (PSB), com 1.862 votos, ou 18,54% dos válidos. Ele era o candidato apoiado pelo prefeito Bentivi, mas sua votação esteve ligada à de Kátia Oliveira, a candidata do grupo dos vereadores, pelo chamado voto casado.
O "voto casado" é uma prática comum em campanhas proporcionais. Um candidato a deputado estadual e um a deputado federal fazem uma dobradinha, pedindo votos um para o outro e dividem o material de campanha. Assim, o eleitor que vota em um tende a votar também no parceiro, e as bases eleitorais de cada um se somam. Em Itanhém, o sinal mais visível disso foram os santinhos, que traziam as fotos de todos os vereadores do grupo.
O resultado foi expressivo. Mario Negromonte Jr teve 682 votos a mais que o segundo colocado, ou seja, cerca de 58% a mais.
Lucas Reis (PT) ficou em segundo, com 1.180 votos (11,75%). Ele teve o apoio do vereador Aguimar e de um grupo de pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, além de outros líderes políticos, e fez uma votação muito boa.
Em terceiro veio Robinho (UNIÃO), com 1.008 votos (10,04%), apoiado pelo ex-vereador Marquinhos de Ibirajá e por outras lideranças políticas.
O ex-prefeito Mildson Medeiros, que é do AVANTE, apoiou dois candidatos federais, e nenhum deles chegou ao pódio. Neto Carletto, da mesma sigla do ex-prefeito, ficou em quarto colocado, com 668 votos (6,65%), bem menos que Robinho. Valmir Assunção (PT), também apoiado por Mildson Medeiros, terminou em quinto, com 620 votos (6,17%). Somados, os dois chegam a 1.288 votos, ainda abaixo do que Mario Negromonte Jr conseguiu sozinho com os "votos casados" com o grupo de Paulinho Correia.
Na disputa federal, os votos válidos foram 10.041, com 484 brancos (4,43%) e 409 nulos (3,74%). As abstenções foram 3.982 (26,70%).
O que dizem as urnas
Os números sugerem três leituras. A primeira é que o grupo de vereadores mostrou capacidade de transferir votos. Sua candidata ao cargo estadual venceu, e o candidato federal com quem fez dobradinha também. E todos na liderança.
A segunda é que a força eleitoral do ex-prefeito Mildson Medeiros ficou abaixo da dos vereadores. Seus candidatos ficaram em terceiro lugar para deputado estadual e em quarto e quinto para deputado federal.
A terceira é que o prefeito Bentivi sai vergonhosamente fracassado dessas eleições. Seu candidato estadual ficou em segundo, a poucos votos da primeira colocada, e seu candidato federal ficou em primeiro. Mas, a vitória de Mário Negromonte Jr, sob qualquer ótica que se queira observar, se deu graças a parceria com o grupo dos vereadores.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro