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Sexta-feira, 19 de Junho 2026
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Notícias / POLÍTICA

Entendendo como instituições declaram apoio a ação ridícula do prefeito Bentivi de pedir díesel para patrolar estradas

Há uma pergunta simples que nenhum desses apoiadores, de forma convincente, consegue responder.

Entendendo como instituições declaram apoio a ação ridícula do prefeito Bentivi de pedir díesel para patrolar estradas
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Mais uma vez, tentando vestir velhas práticas com roupagem nova, o prefeito Bentivi (PSB) buscou conseguir o aval de algumas entidades para o que ele chamou de “Programa Caminhos do Progresso”, que inclui uma campanha de financiamento coletivo para custear a obrigação da prefeitura de patrolar estradas vicinais.

As declarações de apoio da COOPVALI, de dois sindicatos, inclusive do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e da Câmara de Vereadores foram divulgadas com pompa pelo site criado para tentar sustentar a gestão do prefeito. Quem ler e não observa pode até achar que se trata de uma aprovação. Mas um olhar mais atento, no lugar de revelar a solidez de um projeto, mostra, na verdade, a eficácia de uma pressão bem orquestrada de um lado, de quem está no poder e, do outro, de quem precisa, sem nenhuma outra opção, escoar seus produtos agropecuários.

Há uma pergunta simples que nenhum desses apoiadores, de forma convincente, consegue responder. Se a prefeitura já arrecada impostos, taxas e recebe repasses, que representam milhões, por que não consegue cumprir sua função mais básica?

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O discurso da “colaboração voluntária” é sedutor. Afinal, ninguéem seria contra unir forças pelo bem comum. Muito menos este humilde jornalista. O problema, enretanto, reside justamente na perversão do conceito de solidariedade. A verdadeira solidariedade é espontânea, horizontal, vem de baixo para cima. O que o prefeito bentivi faz é o oposto; uma transferência vertical de responsabilidade, um pedido de socorro de quem detém o poder e os recursos para quem já está à mercê desse mesmo poder.

É cômodo para o o prefeito Bentivi publicizar a “generosidade” alheia enquanto sonega informações importantes. Ele não mostra o orçamento destinado à infraestrutura. Não explica por que prefere canalizar recursos para eventos e nomeações que beneficiam uma elite restrita, em vez de investir no que é essencial para a economia do município, como as estradas que escoam a produção.

Comparar Itanhém a cidade de São Desidério foi uma piada de mau gosto. Agora, usar o nome de entidades sérias para validar a ineficiência é uma jogada de mestre. Mas mestre da manipulação.

Essas instituições, que deveriam ser as primeiras na linha de frente para cobrar do poder público, são astutamente colocadas na posição de avalistas de um modelo que, no fim das contas, onera ainda mais a sua própria base.

A população de Itanhém não é ingênua. Sabe que a COOPVALI depende, e muito, da boa vontade do gestor para continuar operando. Sabe também que o Sindicato Rural — muitas vezes apelidado de "sindicato dos ricos" — precisa indispensavelmente da prefeitura para manter as estradas em um mínimo trafegável, sem falar no apoio milionário para a realização de eventos como a Exponhém.

Ironicamente, Romeu Gazzinelli, na gestão de Zulma Pinheiro reuniu fazendiros próximos à sua propriedade para arrecadar dinheiro e patrolar a estrada. Na ocasião, aproveitou a oportunidade para fazer críticas à gestora. Agora, vai lá saber qual seu enteresse em dizer isso:

“Podem contar com a nossa participação. Os produtores rurais têm que ajudar, pois sendo parceiros juntamente com a Prefeitura, que já está cuidando das estradas principais, a melhoria chegará também aos ramais. Como presidente do Sindicato, farei uma reunião para falar do Programa Caminhos do Progresso, cuja ideia é muito válida.”

Os demais, certamente, têm seus acordos. E é assim que se conectam os pontos para entender o motivo pelo qual declaram apoio a uma ação tão ridícula quanto recolher diesel de produtores para patrolar estradas. É a pura e simples economia do favor, onde o interesse público é trocado por contrapartidas privadas.

Itanhém não precisa de doação de diesel. Precisa de gestão, transparência e prioridade.

Enquanto o poder público não for cobrado para fazer a sua parte, qualquer “doação” não passará de um paliativo que perpetua o ciclo da incompetência e do descaso.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Foto: Pod Café

Água Preta News

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