A língua portuguesa é viva. Ela se transforma, se adapta e, vez ou outra, ganha novas palavras. Algumas pegam. Outras desaparecem. E há aquelas que simplesmente nascem condenadas ao constrangimento.
É o caso de “reenvoltar”.
O termo, utilizado pelo vereador do distrito de Ibirajá, Fábio Pereira em um áudio, surge como uma tentativa, no mínimo curiosa, de dar roupagem linguística a uma ação difícil de explicar, que seria a devolução de parte de salários de garis contratadas pela Prefeitura Municipal de Itanhém.
Não está no dicionário. Não tem respaldo etimológico. Não encontra abrigo nem mesmo na flexibilidade criativa da língua falada. “Reenvoltar” parece menos uma palavra e mais um improviso apressado, desses que surgem quando a justificativa não acompanha o ato.
E aqui vale lembrar que o neologismo, quando bem utilizado, pode ser uma ferramenta poderosa. Basta recorrer a Caetano Veloso, que eternizou “reconvexo”, uma invenção poética que, mesmo fora dos padrões formais, carrega sentido, estética e identidade.
“Reenvoltar”, por outro lado, não chega nem perto de “reconvexo”.
A palavra que o vereador tentou criar falta clareza, intenção legítima e, sobretudo, falta coerência.
Porque, no fim das contas, palavras podem até ser inventadas. Mas a realidade que elas tentam encobrir continua exigindo explicação. E, no caso de “reenvoltar”, exige explicação tanto do vereador Fábio quanto do prefeito Bentivi.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
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