A recente visita do governador Jerônimo Rodrigues (PT) à cidade de Itanhém escancarou, sem margem para dúvidas, o profundo desgaste político do prefeito Bentivi (PSB). O que deveria ser um evento institucional de prestígio, com participação popular e demonstração de força política, transformou-se em um momento constrangedor e revelador do fracasso administrativo e da perda de credibilidade do gestor municipal.
As imagens de fotos e vídeos espalhadas nas redes sociais falam por si. O governador teve que falar para um público reduzido, desanimado e, em sua maioria, composto por pessoas vindas de fora, especialmente da vizinha cidade de Vereda, que acompanharam o prefeito Manrick. Ou seja, a mobilização que deveria partir de Itanhém simplesmente não existiu. Se não fosse a articulação e a presença de Manrick, com sua comitiva expressiva, incluindo carros e ônibus, o governador teria enfrentado um verdadeiro vexame público.
O secretário de Educação, Sady Neto, certamente a mando do prefeito, mobilizou escolas da rede municipal para levar alunos à Casa da Cultura, com o objetivo de compor público na recepção ao governador. A iniciativa mostra uma tentativa de preencher um evento que, naturalmente, deveria contar com ampla participação popular, inclusive de artistas, escritores e intelectuais. A inauguração de uma reforma simples, que levou cerca de 15 meses para ser concluída, acabou reforçando a percepção de dificuldades da gestão em engajar a própria comunidade, mesmo em momentos de visibilidade institucional.
O contraste com o passado recente é inevitável de ser feito. Em 2023, quando Jerônimo Rodrigues esteve em Itanhém, foi calorosamente recebido pela população sob a gestão do então prefeito Mildson Medeiros (Avante). Havia entusiasmo, participação popular e respeito institucional. Hoje, o cenário é de apatia, descrença e abandono político.
A baixa adesão popular não pode ser tratada como um fato isolado. Trata-se de um sintoma claro do descontentamento generalizado da população com a atual gestão, que tem direcionado licitações milionárias para empresas ligadas a familiares e amigos e à empresas de outras cidades. Mesmo diante de uma pauta relevante, como a autorização do governador para a licitação do complemento da obra de asfaltamento que ligará Itanhém ao estado de Minas Gerais, a população simplesmente não se sentiu motivada a comparecer. Isso mostra a perda total de conexão entre o governo municipal e os moradores.
A ausência do povo não é por acaso, é uma resposta silenciosa, porém contundente, à condução política de Bentivi em seu terceiro mandato. Quando nem mesmo a presença do governador do estado é capaz de mobilizar a população, fica evidente que há uma crise profunda de liderança e representatividade política.
No fim das contas, o evento preparado para receber o governador Jerônimo Rodrigues, que deveria fortalecer alianças e demonstrar prestígio do prefeito Bentivi, acabou expondo fragilidades.
E se não fosse Manrick, Bentivi teria protagonizado um dos maiores constrangimentos políticos da história recente de Itanhém e da Bahia.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Prefeito Manrick e o público quase todo de fora, presenta na vinda do governador a Itanhém.