O que deveria ser um simples ato administrativo — a inauguração do calçamento da Rua Itaúna, pago com metade dos recursos da Câmara — virou mais um palanque pessoal do prefeito Bentivi. Só que, dessa vez, a encenação ficou mal ensaiada. O discurso revelou o que todos já desconfiavam: O discurso revelou o que todos já desconfiavam: um prefeito que se apropria de obras que não conquistou, que tenta esconder seus fracassos políticos por trás de discursos agressivos e um prefeito que se acha no direito de reescrever a história do município com um cinismo digno de uma boa nota jornalística.
Bentivi começou dizendo que “não vai ceder a pressões” e que sua gestão “não perderá o rumo”. Bonito, se fizesse sentido. Pressões de quem? Da imprensa que cobra? Da população que pergunta e questiona nas redes sociais? Ele não diz. Porque não lhe interessa nomear o contraditório. Interessa criar um inimigo invisível para se colocar como mártir da firmeza. É o truque barato do político encurralado pelos próprios erros.
E aí Bentivi faz a promessa de “obra todo santo dia”. Quem nasceu ontem até acredita. Quem conhece a cidade, porém, sabe que essa é a cartilha do político enganador: embaralhar o que já fez, o que está fazendo e o que jamais fará, e depois vender tudo como prodigiosa eficiência de um prefeito que já ocupou a chefia do Excutivo do município de Itanhém por três vezes.
Aí Bentivi menciona as seis ruas calçadas em Batinga. E cala o nome de quem realmente conseguiu o recurso: Mildson Medeiros. Fala da creche e da Areninha Society, mas esconde que as obras foram viabilizadas com dinheiro conquistado pelo antecessor. O critério rasteiro e covarde usado por Bentivi é muito simples: ‘se é bom pra mim, eu abraço; se atrapalha o personagem, eu apago’. Assim Bentivi opera como um político que governa de “mentira alugada” e “obra dos outros”.
E que tal lembrarmos da Praça da Liberdade?
Na época da ex-prefeita Zulma Pinheiro, Bentivi exigia que ela declarasse publicamente que o recurso foi conseguido por ele. E, de fato, foi. Mas hoje, ele toma para si obras que nunca custeou. E, assim, o oportunismo tem nome de pássaro e usa faixa de prefeito.
Depois das obras, Bentivi tentou mudar de assunto e falar da saúde. E claro, omitiu o óbvio. Por que o Hospital Municipal de Itanhém, que realizou mais de 800 cirurgias na gestão passada, hoje engaveta bisturis e esperança? A população merecia explicação.
Quanto à estrada de Santa Rita do Planalto, que consumiu cerca de meio milhão e vira lama com chuva de verão, Bentivi passou reto. Não falou uma palavra sequer. Como também não disse nada sobre os R$ 1,2 milhão em cestas básicas geridos pela primeira-dama Lidiane Guimarães. Onde foram parar? Quem recebeu? As perguntas foram feitas pelo vereador Gelson Picoli. E por que, diante de tudo isso, a secretária de Assistência Social está pedindo roupas usadas pra doação em vez de articular políticas públicas para atender com dignidade pessoas necessitadas?
E por falar em suspeitas, Bentivi segue em silêncio sepulcral sobre as compras feitas na empresa da própria irmã. Nem uma vírgula sobre o sobrinho que, do dia pra noite, virou “doutor” nas redes sociais.
No auge do cinismo, o prefeito afirmou em seu discurso que “não gosta de enganação” e que só promete o que cumpre. Alguém avise Bentivi, por favor, que o frigorífico não saiu. A Caixa Econômica, que seria construída na praça onde fica a rodoviária também não. A creche que ele prometeu só saiu do papel graças a Mildson Medeiros. E os empregos prometidos na campanha, onde estão? Mais de um ano de gestão e Bentivi coleciona promessas descumpridas e um currículo que não resiste à mínima checagem dos fatos.
Por fim, o golpe mais baixo de Bentivi durante o seu discurso foi tentar se blindar na “democracia” para calar os que vivem fiscalizando suas ações. Afirmar que questionar sua administração é antidemocrático não é apenas um equívoco conceitual, é autoritarismo travestido de retórica. Democracia não é “cala a boca” depois do voto. É cobrar. É vigiar. É não deixar passar. Questionar não é ressentimento, prefeito Bentivi. É cidadania.
Este jornalista, aliás, não deve explicação a Bentivi. Durante as últimas eleições, fui absolutamente isento: publiquei suas vitórias judiciais, desmenti fake news contra sua campanha e jamais omiti uma decisão favorável. O fiz por compromisso com a verdade, não por simpatia. Hoje, sigo fazendo o mesmo. Só que agora a verdade é esta: Itanhém merece mais que um prefeito que governa de costas para o povo e de olho no próprio umbigo.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro