O prefeito de Itanhém, Bentivi (PSB), nesta sua gestão, teve a oportunidade de demonstrar compromisso com a educação do município. Era o momento de agir com responsabilidade e respeito pelos professores, mas preferiu recorrer a um discurso evasivo, alegando crise financeira e se esquivando de uma solução imediata para o pagamento dos salários atrasados da categoria, querendo quitar o débito com supostas sobras do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). A APLB rejeitou a ideia maldosa do prefeito, classificando-a como "insegura", já que não há garantia legal da existência desses recursos.
A verdade é que Bentivi parece mais interessado em lamentar o suposto rombo deixado pela gestão de Mildson Medeiros (Avante) do que em administrar com eficiência. Curiosamente, não há qualquer registro de ação judicial contra o ex-prefeito que respalde as alegações de Bentivi a respeito do suporto rombo. O que se vê são narrativas que apenas alimentam seus apoiadores mais fiéis, sem convencer aqueles que analisam os fatos com neutralidade.
O prefeito optou por atacar a gestão anterior – que, sem dúvida, agiu de forma irresponsável ao não pagar os professores – mas se esqueceu de fazer aquilo que realmente importa, que é resolver o problema. A prioridade deveria ser garantir os direitos dos profissionais da educação e evitar prejuízos à comunidade escolar, mas, em vez disso, Bentivi revive seu histórico de embates com a categoria.
Não é de hoje que sua relação com a educação é marcada pelo descaso. Durante suas gestões anteriores, as escolas foram negligenciadas a tal ponto que tragédias ocorreram. Um caso emblemático foi a morte de um adolescente eletrocutado no Colégio São Bernardo, reflexo direto do abandono da infraestrutura escolar. Esse episódio trágico permanece na memória de muitos itanheenses como um símbolo do descuido com a educação.
Agora, diante da crise gerada pelo não pagamento do salário do último mês de dezembro e dos valores retroativos de janeiro e fevereiro referentes ao reajuste do Piso Salarial Nacional, Bentivi poderia demonstrar sensibilidade e resolver a situação com urgência. No entanto, sua escolha foi seguir o caminho da retórica política, enquanto os profissionais da educação amargam a incerteza e o desrespeito.
O atual gestor e seu grupinho de conselheiros precisam entender que gestão pública exige mais do que discursos; requer ações concretas. E, até agora, Bentivi tem mostrado que prefere se esconder atrás de narrativas do que enfrentar os desafios com coragem e responsabilidade.