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Terça-feira, 16 de Dezembro 2025

POLÍTICA

Bentivi joga xadrez com as cobras e faz questão de manter os abutres no poder

O jogo político é sujo, e as vítimas continuam sendo os mais humildes.

Água Preta News
Por Água Preta News
Bentivi joga xadrez com as cobras e faz questão de manter os abutres no poder
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Por Edelvânio Pinheiro

O tempo, senhor das razões e revelador das verdades, mostra que em Itanhém, ou nas terras de Água Preta, como preferem os mais apegados às raízes como eu, a política continua sendo um velho jogo de cartas marcadas, onde o prefeito Bentivi, do PSB, joga xadrez com as cobras. E não qualquer cobra. São daquelas mais venenosas, rastejantes e silenciosas, que aguardam o momento exato para dar o bote, ainda que passem quatro, oito ou 12 anos.

Em sua terceira passagem pelo Excutivo, o atual prefeito parece não ter aprendido absolutamente nada com os próprios erros, inclusive erros que vem sendo questionados pelo Miistério Púlico e pela Justiça. Talvez, quem sabe tenha aprendido, mas optou pelo caminho mais fácil, mais cômodo e, convenhamos, mais lucrativo para os abutres da prefeitura. Afinal, Bentivi continua dançando a mesma valsa perigosa com os velhos sugadores da política itanheense, aqueles que, com estômago de baleia, nunca se empanturram. São figuras carcomidas pelo tempo, que já sugaram a esperança do povo em outras épocas, e que voltam, agora, com sede de camelo, animal que, por características naturais, é capaz de passar longos períodos sem beber água, mas, quando tem acesso, bebe uma quantidade enorme de uma vez só.

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A velha prática do balcão de negócios segue viva, forte e desavergonhada. A tranquilidade da população, que deveria ser a prioridade de qualquer gestor público minimamente honesto, foi mais uma vez rifada. E rifada a preço baixo, entregue aos velhos companheiros de campanha — aqueles que, ao longo da história, pouco ou nada fizeram pelo bem coletivo, mas sempre se mostraram extremamente competentes na arte de garantir seus próprios privilégios. E fazem isso sem pudor, sem respeito e sem qualquer compromisso com uma sociedade marcada pela desigualdade, onde a maioria é formada por trabalhadores humildes, pessoas que lutam diariamente contra a fome, que vivem sem acesso à moradia digna, sem saúde, sem educação de qualidade e, muitas vezes, sem sequer ter dinheiro para comprar um remédio ou colocar um prato de comida na mesa. Enquanto isso, os donos do poder seguem tratando a máquina pública como se fosse propriedade privada, como se o dinheiro público fosse um cofre aberto, disponível apenas para manter suas regalias e perpetuar o ciclo perverso que sufoca e massacra o povo itanheense.

E que bom que as redes sociais estão aí, ativas, operantes e cada vez mais cumprindo um papel fundamental na politização daqueles que amam a terra de Água Preta. Hoje, nem mesmo os bastidores conseguem mais esconder o que acontece por trás das paredes do poder. O que antes era sussurrado nos corredores, agora ecoa em áudios vazados, conversas expostas e atitudes públicas que não deixam qualquer dúvida sobre o nível de promiscuidade política que tomou conta do comando do município. E o mais grave: até quem hoje ocupa espaços estratégicos dentro da gestão e que, teoricamente, deveria zelar pelos mais pobres, já deixou escapar, ainda que por descuido, o verdadeiro pensamento que guia essa administração. Uma visão perversa, insensível, que deixa claro o total desprezo por quem sofre, por quem precisa, por quem vive à margem. Porque, no fim das contas, o que realmente importa para eles é manter o ciclo dos mesmos de sempre se retroalimentando, como um organismo parasita que se sustenta sugando as energias, os sonhos e as esperanças de uma população inteira.

Mas, aqui, é preciso ser justo. Os que vieram antes não foram melhores. Na verdade, na essência, são todos farinha do mesmo saco. Beberam da mesma fonte, alimentaram-se do mesmo sistema e, direta ou indiretamente, sempre fizeram parte desse verdadeiro teatro de horrores chamado política itanheense, um espetáculo cruel, onde quem sempre paga a conta é o povo. E não qualquer povo, mas os mais humildes, os esquecidos, os que dependem do poder público municipal para sobreviver. É esse povo que, geração após geração, segue na esperança de dias melhores que, simplesmente, nunca chegam. E não chegam por um motivo tão simples quanto revoltante: quem ocupa o poder não governa para a coletividade, não governa para quem precisa. Governa para si, para seus amigos, aliados e apadrinhados. Gente que não sabe o que é esperar atendimento no CAPS; que jamais enfrentou uma fila por um ansiolítico, um antidepressivo ou um antipsicótico, porque compra seus remédios no conforto e no silêncio da farmácia particular. Gente que, se adoece, não pisa no SUS. Tem plano de saúde, consulta com especialistas e é atendida nos melhores hospitais da região, do estado ou do país. Gente que não conhece a dor da precariedade, que vive no conforto de suas casas próprias, com ar-condicionado na sala, carro novo na garagem e a vida distante da realidade sofrida da maioria da população itanheense.

Diante dessa conjuntura, uma verdade se impõe de forma urgente, necessária e absolutamente inadiável. É hora de virar o disco, chutar a mesa e romper, de uma vez por todas, com esse ciclo podre e viciado. É hora de buscar um novo caminho, um caminho que exclua, sem hesitação, aqueles que há décadas tratam a prefeitura como se fosse extensão de seus quintais e o dinheiro público como patrimônio particular. Um caminho onde o poder público não seja balcão de negócios, nem moeda de troca, nem plataforma para transformar meia dúzia de oportunistas em milionários à custa da miséria do povo. Chega de aceitar que a esperança de milhares seja constantemente rifada para sustentar os privilégios dos mesmos de sempre.

Itanhém não merece, e jamais mereceu, ser refém de quem aprendeu a fazer da política seu meio de vida. Não merece continuar sendo conduzida por quem faz acordos espúrios, joga xadrez com cobras e dança a valsa dos abutres. É tempo de coragem. Tempo de acordar. Tempo de reagir. O povo precisa entender, de uma vez por todas, que enquanto continuar apostando nos mesmos nomes, nos mesmos grupos e nos mesmos discursos falsos, mentirosos e enganadores, Itanhém seguirá do jeito que está. Seguirá sem remédios no CAPS, sem médicos e dentistas nos postos de saúde; com pessoas morrendo por falta de atendimento digno e cirurgias que deixaram de acontecer no hospital da cidade; com estradas destruídas, impedindo o escoamento das riquezas e sufocando o comércio local; com escolas que vivem de rifas e campanhas para comprar uma simples impressora; com uma juventude sem esporte, sem cultura, sem lazer e sem perspectiva; e com ruas entregues ao abandono, mergulhadas na escuridão, tomadas pelo mato, pelos urubus e, claro, pelas mesmas cobras venenosas que rastejam dentro e fora das paredes do poder.

Portanto, meus conterrâneos, peço que considerem tudo o que foi dito aqui neste artigo, com a mente aberta, sem ódio e sem paixões partidárias, mas sempre com o compromisso sincero pelo bem coletivo. Chega de acreditar em promessas vazias que jamais se cumprem. Chega de aplaudir aqueles que, na verdade, nunca estiveram verdadeiramente preocupados com nossa cidade, nossas vilas, nossos distritos e comunidades rurais. Um cargo público não existe para satisfazer interesses pessoais ou beneficiar grupos seletos como, infelizmente, muitos prefeitos e vereadores têm feito em nosso município, agindo com total desrespeito à população que lhes confiou o poder.

E anotem bem: o verdadeiro desenvolvimento de Itanhém só terá início no dia em que esse ciclo sombrio, comandado pelos abutres, for definitivamente rompido. Até lá, nossa cidade continuará refém de um “sistema de amigos” e abandona nosso município e a nossa gente.

 

*Edelvânio Pinheiro é jornalista

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