O prefeito de Itanhém, Bentivi (PSB), realizou nesta quinta-feira (9) seu primeiro pronunciamento oficial desde que assumiu o cargo, destacando dificuldades financeiras enfrentadas pela nova gestão. Salários atrasados, dívidas com fornecedores e contas de serviços essenciais em atraso foram os principais pontos abordados no comunicado publicado nas redes sociais.
Bentivi tentou pregar um cenário de caos absoluto, relatando até mesmo um episódio no qual precisou agir rapidamente para evitar o corte de energia elétrica na Secretaria de Saúde. Segundo ele, o novo governo está em fase de diagnóstico, “tomando conhecimento da realidade do município”.
Apesar do tom alarmista, o prefeito deixou de mencionar que, no dia seguinte ao seu pronunciamento, o município receberia mais de R$ 2 milhões e 175 mil em repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sem contar as receitas que o próprio município arrecada, provenientes da Divisão de Tributação, Fiscalização, Arrecadação e Postura (DTFAP).
A omissão dessa informação tenta contruir uma narrativa de que os repasses do FPM não são obrigatórios e periódicos. Esses recursos garantem que o município continue recebendo recursos necessários para manter os serviços em funcionamento.
A tentativa de criar uma narrativa de calamidade parece estratégica, principalmente ao considerar que até veículos de comunicação alinhados à gestão tentam reforçar essa ideia. Essa pode ser uma manobra para justificar ações futuras ou para preparar a opinião pública para possíveis medidas impopulares.
O discurso do prefeito, ainda que necessário para informar a população sobre os desafios iniciais de sua administração, deveria ser mais transparente. A ausência de menção aos repasses financeiros esperados indubitavelmente gera desconfiança e compromete a credibilidade do novo governo, especialmente em um momento tão delicado de transição.