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Segunda-feira, 15 de Junho 2026
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ÁUDIO: A profecia da mulher de Bentivi: “Se fosse o povo, não dava um voto em você”

É de se perguntar o que se passava, naquela ocasião, na cabeça do — bem ou mal-intencionado — pré-candidato a prefeito Bentivi, na AABB, com algumas doses de bebidas já pesando no fígado.

ÁUDIO: A profecia da mulher de Bentivi: “Se fosse o povo, não dava um voto em você”
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Uma das falas mais emblemáticas e acidentalmente reveladoras da política itanheense dos últimos anos veio de dentro de um carro, em forma de desabafo conjugal. O áudio que viralizou nas redes sociais, gravado pelo próprio prefeito Bentivi (PSB), escancarou uma crise que ia muito além da vida a dois. Foi, sem querer, uma confissão pública. E, mais do que isso, um retrato fiel do desgoverno que viria a se consolidar nos meses seguintes.

O áudio vazado, que parecia apenas um desentendimento conjugal, acabou se tornando uma peça fundamental para entender a verdadeira face dessa gestão. Nele, o futuro prefeito se revela descompromissado, acuado e resignado diante das críticas da esposa. E ela, em tom de fúria, fala como se estivesse representando a população itanheense.

“Se fosse o povo, não dava um voto em você”, disparou Lidiane, mulher de Bentivi, naquele momento em que a verdade, enfim, escapa pelas brechas da intimidade. E ela estava certa. Não só por ter dito o que muitos já comentavam pelas esquinas da cidade, mas por ter antecipado com precisão, logo mais tarde, a absoluta falta de responsabilidade do gestor com o dinheiro público, com o cargo que ocupa e com o povo que o elegeu.

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É de se perguntar o que se passava, naquela ocasião, na cabeça do — bem ou mal-intencionado — pré-candidato a prefeito Bentivi, na AABB, com algumas doses de bebidas já pesando no fígado. O áudio não deixa dúvidas de que o futuro chefe do Executivo estava mais preocupado com o “pé do balcão” do que com os pés no chão da realidade do município que viria a governar no ano seguinte.

A profecia de Lidiane se cumpriu com assustadora exatidão. Hoje, o que se vê é um governo paralisado, ineficaz, mergulhado em reclamações e promessas não cumpridas. Os problemas da cidade se acumulam como entulhos em ruas sem manutenção. Postos de saúde ainda com falta de profissionais e equipamentos, educação cheia de problemas, estradas abandonadas, servidores insatisfeitos, contratos nebulosos e, como se não bastasse, um suposto escândalo envolvendo a distribuição de cestas básicas, que está sendo fiscalizado pelo vereador Gelson Picoli (Avante).

Bentivi parece ter adotado como método de gestão o improviso, a omissão e, principalmente, o desprezo por qualquer forma de planejamento. É como se o governo dele fosse um carro sem freio e sem motorista descendo a conhecida Ladeira do Bucho em época de fortes chuvas. Ou, pior ainda, um carro, nessa mems descida, sendo dirigido por um motorista que resolveu deixar o volante para sentar no balcão do bar mais próximo.

Mas o que dizer de Lidiane Guimarães, a esposa do prefeito que bateu no peito para afirmar “amanhã você vai ver, chega”? O áudio nos dá a entender que ela tomaria uma atitude firme, talvez até se afastar de Bentivi por não compactuar com seu comportamento. No entanto, meses depois, a decisão tomada foi outra: ela virou secretária municipal de Assistência Social.

Pelo visto, o “amanhã” prometido era, na verdade, um acordo político familiar: em vez de romper com o desgoverno, Lidiane decidiu integrá-lo. E não como figura qualquer. Assumiu uma das pastas mais sensíveis da administração pública, justamente a que lida com os mais pobres, com os necessitados, com os que mais esperam ação, seriedade e honestidade de seus governantes.

Agora, como se não bastasse o escândalo moral do áudio, paira sobre sua atuação a sombra de mais uma polêmica: a distribuição de mais de R$ 1 milhão e 159 mil em cestas básicas, cujo critério de beneficiados está sendo questionado até pelo Legislativo. Segundo denúncia divulgada aqui no site Água Preta News, o vereador Gelson Picoli cobrou da secretária (e esposa do prefeito) a lista completa dos beneficiados com os alimentos, um processo que levanta suspeitas sobre uso político de recursos públicos.

E pensar que ela mesma advertiu o marido que “votar em gente cachaceiro que nem você? (sic)”. Ironia do destino (ou da política), hoje é ela quem precisa responder se o seu cargo não foi justamente um prêmio de consolação para “parar de encher o saco” e não causar mais escândalos, especialmente depois de um áudio tão revelador e constrangedor.

O que mais impressiona nesse episódio não é o teor das falas, mas a naturalidade com que elas refletem o estado atual do governo, confirmando um retrato de irresponsabilidade, desorganização e aparente desprezo pelo interesse público. O que começou como um áudio conjugal virou um documento político. Um testemunho da decadência de uma gestão que perdeu a sobriedade em todos os sentidos.

Enquanto isso, a cidade de Itanhém segue à deriva, carregando o peso de um governo que tropeça nas próprias ações e ainda tem a audácia de manter em postos-chave figuras como a secretária da Assistência Social que, ontem, reconheciam a tragédia administrativa e hoje são parte dela.

“Você tá achando que seus problemas vão resolver no pé do balcão, porra?” Essa fala de Lidiane naquele momento de sinceridade involuntária parece não ter sido entendida muito pelo prefeito Bentivi.

O problema é que, enquanto o balcão servia de consolo etílico para o então pré-candidato, aquela voz de revolta da esposa indignada virou silêncio cúmplice na cadeira da Secretaria de Assistência Social, justamente a pasta que faz previsão de movimentação de milhões em cestas básicas, com critérios de distribuição que nem os vereadores conseguem esclarecer.

O que parecia um rompante de uma mulher cansada, tornou-se talvez apenas uma cena mal encenada de um roteiro político conhecido de todos nós. No fim das contas, Itanhém está mesmo pagando por um governo que se embriagou de poder antes mesmo dos quatro anos de mandato. E o povo, sóbrio e sofrido, segue à espera de uma gestão que finalmente tome juízo e largue, de vez, o pé do balcão. 

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

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