Desde aquele fatídico 7 de outubro de 2023, o mundo voltou a mergulhar na dor e no medo. O ataque do grupo Hamas a Israel e a resposta devastadora do governo israelense reacenderam uma tragédia que, na verdade, nunca deixou de existir. Gaza voltou a ser o retrato mais cruel daquilo que a humanidade deveria já ter aprendido: que a violência gera apenas mais violência, e que o sofrimento de um povo nunca pode ser ignorado em nome da política, da religião ou do poder.
Mas essa história não começou em 2023. Ela tem raízes profundas, que atravessam décadas de promessas quebradas, territórios ocupados e acordos que nunca foram cumpridos.
Desde 1948, quando foi criado o Estado de Israel, o povo palestino vive à margem, sem um Estado próprio, expulso de suas terras, confinado em pequenas faixas de território e impedido de decidir o próprio destino. Foram inúmeras guerras, negociações interrompidas, intromissões de potências estrangeiras e um sofrimento que se repete geração após geração.
Gaza, hoje, é um território sitiado. São mais de dois milhões de pessoas vivendo em condições desumanas, sem acesso pleno a água, energia, hospitais e medicamentos. Crianças que crescem em meio aos escombros e aprendem desde cedo que o som dos aviões pode significar morte. Famílias inteiras que perderam tudo, inclusive a esperança. E o mundo, muitas vezes, assiste a tudo isso com uma frieza assustadora, como se fosse apenas mais uma notícia no noticiário internacional.
É claro que o terrorismo do Hamas não pode ser ignorado. Nenhum ato de violência contra inocentes deve ser justificado. Mas é preciso entender que o Hamas não nasceu do nada; ele surgiu do desespero, da falta de perspectivas e da sensação de abandono de um povo que há décadas pede reconhecimento e recebe, em troca, muros, bloqueios e bombas. Quando um povo vive cercado, sem liberdade, sem dignidade e sem horizonte, a raiva se torna a última forma de voz, ainda que essa voz fale de maneira errada, como e o caso do grupo terrorista Hamas.
Israel tem o direito de existir, sim. Mas o povo palestino também tem esse mesmo direito.
E é aí que está o ponto essencial. Enquanto não houver um Estado Palestino, soberano, livre e reconhecido internacionalmente, não haverá paz duradoura.
Qualquer acordo, cessar-fogo ou plano de reconstrução será apenas uma pausa entre duas tragédias. Não há como estabilizar uma região inteira enquanto metade dela vive sob ocupação, humilhação e fome.
A paz verdadeira não se impõe pela força. Ela nasce do reconhecimento mútuo, do respeito, da justiça. E justiça, nesse caso, significa garantir ao povo palestino o direito de existir como nação, com fronteiras seguras, governo próprio e dignidade. Tudo o que não passa por isso é apenas maquiagem.
As grandes potências falam em “processos de paz”, mas o que o mundo precisa é de um processo de humanidade. A dor de uma mãe israelense que perde o filho num ataque terrorista é a mesma dor da mãe palestina que o perde num bombardeio da IDF, que é as Forças Armadas irraeslense. E enquanto o sofrimento for medido por bandeiras, a paz continuará sendo apenas uma palavra bonita usada em discursos vazios.
O planeta inteiro parece saber o caminho, mas ninguém tem coragem de percorrê-lo. Porque esse caminho exige enfrentar interesses econômicos, ideológicos e religiosos que sustentam o conflito há décadas.
Mas se quisermos realmente falar em paz, precisamos falar em justiça. E justiça, nesse caso, tem nome, fronteira e bandeira, que seria um Estado Palestino livre, soberano e reconhecido.
Fora disso — e eu repito com convicção — é impossível.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
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