Se há uma palavra que traduz com precisão o comportamento administrativo do prefeito Bentivi em Itanhém, essa palavra é pachorra. Mas não no seu sentido mais poético, aquele que remete a um descanso merecido ou a uma pausa diante do caos. A pachorra de Bentivi é a da indiferença, da inércia e da insensibilidade diante das necessidades mais urgentes do povo.
Itanhém sofre. Sofre com ruas esburacadas, escolas abandonadas, postos de saúde sem estrutura, estradas que viraram um verdadeiro atoleiro e um povo cansado de esperar. Enquanto isso, o prefeito parece governar no ritmo de quem não tem pressa, em uma gestão marcada pela lentidão, pela omissão e pela arte de empurrar os problemas com a barriga. É como se cada problema fosse um fardo alheio, distante da responsabilidade do prefeito.
A tragédia que ceifou a vida do jovem Flávio Ramon, eletrocutado na Escola Municipal São Bernardo, é um símbolo do que representa essa pachorra, uma omissão que mata. O caso nunca teve a devida reparação, nem para a família, nem para a sociedade. O retorno de Bentivi ao comando do município não trouxe respostas nem ações concretas, apenas o silêncio frio de quem administra com desdém.
Poderíamos citar dezenas de situações que expõem esse pachorismo institucionalizado, como bairros e estradas esquecidos, discursos vazios, ausência de obras, saúde em descaso e a constante sensação de que o prefeito não vive a realidade do povo. É como se a cadeira do Executivo estivesse ocupada por alguém anestesiado, imune à dor da população.
A pachorra de Bentivi não é uma virtude. É uma afronta. É o retrato de uma liderança que se acomodou, que se fecha nos próprios interesses e se esquiva da responsabilidade com uma fleuma perigosa. Não há glamour algum nessa morosidade; há, sim, um prejuízo irreparável para a cidade, distritos e vilas e para a dignidade do seu povo.