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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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A força da atualidade literária em “Spleen de BH”, de Leonardo de Magalhaens

Leonardo parece dedicar na obra, ainda que inconscientemente, uma espécie de pedido informal ao leitor, para que este não se preocupe com classificações ou rótulos

A força da atualidade literária em “Spleen de BH”, de Leonardo de Magalhaens
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No livro “Spleen de BH: Ásperas Flores” (Selo Starling, 2022), o poeta Leonardo de Magalhaens comprova uma de suas afirmativas contidas na obra, qual seja, um verdadeiro escritor e poeta não escreve somente para a sua região, o seu país, mas para o mundo (Episódio “Os poetas”). Isto fica evidente ao longo de sua obra, ao dialogar e homenagear o notável poeta francês Baudelaire, considerado o fundador da poesia moderna, pois se o vate de Paris fala da cidade luz e de temas universais, como a sociedade da época, as ruas, a cidade, os artistas, os boêmios, os poetas, as prostituas, o poeta mineiro fala de BH e da sociedade moderna, com toda a sua diversidade e complexidade, mantendo o mesmo tom melancólico, cético, crítico e irônico de Baudelaire.

Leonardo parece dedicar na obra, ainda que inconscientemente, uma espécie de pedido informal ao leitor, para que este não se preocupe com classificações ou rótulos (Episódio “A beleza”): “Toda classificação é incompleta/ devemos inventar novos rótulos para novos autores?”. Desta forma ele se liberta, e também ao leitor dessas preocupações, pois o seu texto é ágil, dinâmico, misturando-se a prosa, a poesia, a crônica – e por que não – a Filosofia, a Sociologia e a História – entre outras áreas do conhecimento.

Mas a grande contribuição deste livro é, sem sombra de dúvida, mostrar a força de atualização e permanência de uma obra e de um escritor – no caso Baudelaire –, pois Magalhaens nos mostra em permanente diálogo com o poeta francês a loucura e a distopia dos nossos tempos, onde imperam a desorientação, o consumismo, a desigualdade, a mistura de política com religião, a violência, a degradação ambiental e dos espaços urbanos, a desilusão com o futuro, que parece repetir o passado.

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Ao longo da obra, vemos um escritor crítico e cético dos nossos tempos, onde – além de Baudelaire – ecoam vozes de Nietzsche e Schopenhauer. Não é pouca coisa.

*Erivan Santana é poeta, cronista e titular da Cadeira 36 da Academia Teixeirense de Letras.

Fonte/Créditos: *Por Erivan Santana

Créditos (Imagem de capa): Foto: Erivan Santana com exemplar de "Spleen de BH"

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