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A comparação absurda entre Bolsonaro e Che Guevara e as lembranças da época de Edival Passos

Valdemar, ao fazer essa comparação, mostra desconhecer profundamente quem foi Che Guevara.

A comparação absurda entre Bolsonaro e Che Guevara e as lembranças da época de Edival Passos
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Em minha adolescência, em meados da década de 1980, eu já respirava política. Fazia parte dos movimentos petistas em Itanhém e no extremo sul da Bahia, participando até mesmo de encontros em Salvador organizados pelo conterrâneo e então deputado Edival Passos. Em Itanhém me considero uma cria de figuras ilustres como Alfim Nascimento, Reinaldo do Sindicato, Amélio Págio, as professoras Enelita Freitas e Ana Odália, Roque do PT e o Dr. Carlos Augusto Chagas. Claro, Padre José e Dr. Nicolau também compunham esse grupo, mas eu ainda era pequeno quando eles deram início àquele movimento. Foi nesse ambiente que cresci politicamente, inspirado por lideranças que, com todas as diferenças entre si, tinham em comum a busca por justiça social.

Nessa época, nomes como Ernesto Che Guevara e Chico Mendes eram referências vivas para qualquer jovem que acreditasse em transformação. Che foi um médico argentino que se tornou guerrilheiro internacionalista, símbolo da luta contra o imperialismo e por um mundo mais justo. Chico Mendes, um seringueiro do Acre, assassinado em 1988 com um tiro de escopeta por enfrentar os grileiros e defender a floresta amazônica. Ambos, à sua maneira, foram mártires de causas coletivas, encarnações do compromisso com a justiça social, a dignidade humana e a defesa dos oprimidos.

Por isso, ao ouvir nesta semana a declaração do presidente e líder intelectual do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, comparando o ex-presidente da República Jair Bolsonaro a Che Guevara, não encontrei outra reação possível senão indignação. Trata-se de uma comparação sem fundamento, descabida de qualquer bom senso e, para não dizer outra coisa, um atestado da ignorância histórica e política de Valdemar.

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Che Guevara e Bolsonaro não combinam em absolutamente nada. O primeiro foi um revolucionário marxista, defensor da luta armada contra ditaduras e do direito dos povos à autodeterminação. O segundo é um político da extrema direita, considerado por muitos um líder de traços fascistas, defensor de regimes autoritários, alguém que nunca escondeu seu desprezo pelas minorias e pela democracia.

Então, alguém pode me dizer onde está a semelhança?

Valdemar, ao fazer essa comparação, mostra desconhecer profundamente quem foi Che Guevara e revela o uso raso e oportunista da história, reduzindo figuras complexas a slogans vazios. Comparar Che com Bolsonaro é uma ofensa à memória do revolucionário e a todos aqueles que, inspirados por ele, dedicaram ou perderam suas vidas em defesa de um mundo menos desigual.

Che Guevara, se tivesse a mínima consciência dessa tolice dita pelo presidente do PL, estaria se revirando na tumba. Um homem que dedicou sua vida à esquerda, ser comparado a alguém que encarna o oposto de seus ideais, é de uma aberração sem tamanho. É como comparar a água com o fogo, a luta pela justiça social com a defesa da desigualdade, a coragem revolucionária com o oportunismo autoritário.

O Brasil atravessa um momento em que palavras e símbolos são manipulados sem pudor. Valdemar da Costa Neto, ao tentar colocar Bolsonaro no mesmo patamar simbólico de Che, presta um desserviço à história e à memória de quem realmente lutou por algo maior que a própria sobrevivência política.

Se o objetivo era engrandecer Bolsonaro, o resultado foi o contrário e Valdemar acabbou expondo a sua completa falta de noção, tipica de alguém que tenta reescrever a história para caber em discursos convenientes.

Comparar Che Guevara a Jair Bolsonaro é tão absurdo que não deveria sequer ser levado a sério. Mas como foi dito por alguém que ocupa posição de liderança nacional, precisa ser rebatido. E o melhor antídoto contra a ignorância é a memória que carrego desde a minha adolescência. Memória de Che Guevara, de Chico Mendes - que um dia carreguei no peito em uma camisa de uma equipe de gincana, em Itanhém - e de todos aqueles que, com erros e acertos, jamais abriram mão de lutar pelos oprimidos.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Bolsonaro e Che Guevara

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