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Domingo, 09 de Agosto 2026
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Enquanto mulher implora por cesta-básica, prefeito e primeira-dama, que é secretária, batem na pedra do sino e dão gargalhadas

A denúncia de Sônia, amplificada pelas redes sociais graças à ação de Elisângelo Nunes, não pode ser tratada como um caso isolado.

Enquanto mulher implora por cesta-básica, prefeito e primeira-dama, que é secretária, batem na pedra do sino e dão gargalhadas
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Há momentos em que a política se despe de qualquer aparência de humanidade e revela sua face mais cruel e indiferente. Esta semana, a cidade de Itanhém testemunhou uma dessas situações. Enquanto a senhora Sônia Lemos pedia por uma cesta-básica e era ignorada pela Secretaria de Assistência Social — chefiada por Lidiane Guimarães, esposa do prefeito Bentivi (PSB) —, o casal estava em Bom Jesus da Lapa, sorridente, participando de rituais religiosos e batendo na pedra do sino.

Esse gesto, na tradição popular, é carregado de simbolismo: se a pedra tinir, é sinal de boas novas, de bênção, de retorno. Se não tinir, há quem veja como mau presságio, um presságio de desgraça ou morte. Mas o que simboliza, para o povo de Itanhém, ver seus governantes em peregrinação mística, enquanto seus irmãos e irmãs agonizam na miséria, aguardando uma cesta-básica prometida e nunca entregue?

O episódio de Sônia é uma denúncia viva do fracasso social e ético dessa gestão. É também um retrato da desigualdade na política local. Enquanto os amigos e aliados do prefeito recebem atenção privilegiada, a população comum precisa se humilhar, implorar e, por fim, recorrer à caridade alheia para sobreviver.

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A denúncia de Sônia, amplificada pelas redes sociais graças à ação de Elisângelo Nunes, não pode ser tratada como um caso isolado. Trata-se de um sintoma de uma administração que falhou em sua missão básica, que é cuidar dos mais pobres. Um governo que transforma assistência social em moeda de troca, que entrega cargos estratégicos a familiares — como a Secretaria de Assistência Social — e que governa como se Itanhém fosse uma extensão de seus próprios interesses privados, ignorando o sofrimento da população e tratando a máquina pública como patrimônio pessoal.

Enquanto isso, alguns vereadores tentam fazer sua parte. O vereador Gelso Picoli, do Avante, vem cobrando da prefeitura a prestação de contas das cestas básicas, questionando para onde foi o dinheiro e quem, de fato, recebeu os alimentos. O valor da aquisição é muito alto, mas o impacto prático na vida dos necessitados, como mostra o caso de Sônia, parece nulo.

Essa disparidade entre o gasto anunciado e o atendimento real revela algo podre no coração da administração de Bentivi. E o povo percebe. O áudio de Sônia não é só um desabafo — é um grito de socorro. A atitude de Elisângelo e dos empresários que doaram, por outro lado, é uma lição de humanidade e compromisso social, que envergonha a própria prefeitura.

Diante disso tudo, é de se perguntar: que mensagem trouxe a pedra do sino para o prefeito e sua esposa? Tinir ou não tinir, pouco importa, se o gesto simbólico de fé não encontra correspondência na prática política. Afinal, não adianta bater na pedra do sino em Bom Jesus da Lapa, se aqui em Itanhém o povo bate à porta da prefeitura e não encontra sequer um copo de água.

Itanhém precisa urgentemente de uma gestão que olhe para o povo e não para aliados, amigos e familiares do prefeito. A fé move montanhas, sim, mas o abandono administrativo derruba vidas. E vidas, Bentivi e Lidiane, não se sustentam com curtidas, fotos e vídeos em romarias ou rituais vazios publicados nas redes sociais. Se ainda há sinceridade na fé que professam, talvez a verdadeira voz de Deus não esteja no som da pedra que bateram em Bom Jesus da Lapa, mas no pedido abafado de Sônia, que implorava por uma cesta básica e foi ignorada pela Prefeitura Municipal de Itanhém.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Bentivi e a secretária de Assistência Social, mulher de Bentivi.

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