Muito se comentou sobre o vídeo postado nas redes sociais em que o vereador Jurandy, do Democracia Cristã, aparece comemorando a chegada de luminárias da cidade de Medeiros Neto, que haviam sido descartadas pelo prefeito de lá. A crítica tenta colocá-lo como alguém que comemorou “migalhas”, quando, na verdade, o episódio apenas expõe uma triste realidade imposta à cidade de Itanhém pela atual gestão municipal, obrigando o vereador a recorrer a Beto Pinto para garantir aquilo que deveria ser responsabilidade do prefeito Bentivi e que, até agora, não foi entregue à população — população esta que segue com ruas e bairros às escuras, mesmo após quase um ano de mandato.
Se há algo digno de constrangimento nessa história, esse algo não é a atitude do vereador. Constrangedora é a realidade que forçou um representante do povo a buscar, por conta própria, aquilo que o Executivo deveria ter resolvido há meses. O problema não está em quem corre atrás, mas em quem tinha obrigação e não correu.
Por mais que entendamos que essa não é, e nunca foi, a função de um parlamentar, Jurandy não errou ao procurar uma solução. O erro é da gestão Bentivi, que, mesmo após quase um ano à frente da prefeitura, mantém bairros inteiros mergulhados no escuro, ruas tomadas por matos e cobras e vias esburacadas. É essa ausência de compromisso que transforma a ação voluntariosa de um vereador em símbolo da falência administrativa do governo municipal.
Além disso, é preciso reconhecer que, diante do abandono, Jurandy foi atrás. Resolveu o que era possível resolver. Não substituiu o dever do prefeito Bentivi, mas preencheu parte da lacuna deixada por ele com as luminárias.
Apontar o dedo para o vereador é, convenientemente, desviar o foco do verdadeiro problema, que é a total incapacidade da gestão Bentivi de entregar serviços básicos à população itanheese. É fácil criticar quem aparece no vídeo. Difícil é explicar por que inúmeras ruas estão às escuras apesar de um orçamento municipal milionário.
O vereador pode até não ter apresentado a solução ideal, mas, se há algo a ser lamentado, não é o gesto de Jurandy, mas o fato dele precisar pedir sucatas ao prefeito da cidade vizinha para socorrer a população de sua cidade.
A falha, portanto, não está no vereador, está em quem tem a caneta e não é homem pra cumprir o que prometeu durante campanha eleitoral.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro